Nossa percepção de mundo e evangelho

Ouvindo nosso tempo

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Juventude

 

Nos últimos anos tenho trabalhado e acompanhado mais de perto o ministério com jovens e adolescentes de diversas igrejas e denominações. Devido ao fato do seminário e de novas amizades tenho tido a oportunidade de conversar e pregar em algumas igrejas que, de outra forma, não teria acesso. Nesse caminho tenho visto a maioria dos líderes desanimados com os resultados e, ao mesmo tempo, jovens e adolescentes dispersos.

Juntamente com esse cenário percebemos que ainda, na maioria das igrejas a pastoral de jovens e adolescentes não agrega mais o grupo, deixando-os dispersos. E quase que certamente é onde temos a replicação de modelos de trabalho que deram certo no passado bem próximo, anos de 1970 a 1989, quando grandes encontros e festivais lotavam igrejas e quadras esportivas para todos verem apresentações teatrais e musicais. Vejo jovens desta época, hoje líderes, frustrados, fixados nessa imagem de “sucesso” e com grande força saudosista.

O desafio é, que mesmo passando tão pouco tempo, temos dentro de nossas igrejas duas gerações completamente distintas coabitando no mesmo espaço. Cada uma delas com um entendimento de mundo e forma de pensar. Ou seja, estamos oferecendo um modelo que não atende mais as expectativas desta geração.

Temos então o desafio de interpretar e entender nosso tempo, saindo do nível superficial de discussão das coisas, onde tudo pode ser explicado de maneira simplista. Não podemos fingir que nada acontece ou que, o que acontece, é por causa dos jovens e adolescentes que não querem saber mais de igreja. Na verdade eles não se acham neste modelo de igreja que está. O que precisamos é perceber a complexidade de nosso tempo e responder as demandas desta geração.

Ainda baseado em antigos modelos,  uma das maiores demandas das igrejas para com os jovens é o de fazer programações. São cultos, encontros, EBD, pequenos grupos, acampamentos, ou seja, uma agenda completamente lotada e cheia, que chega ao esgotamento. Outro sim, é que normalmente os jovens estão em mais de uma organização na igreja, que também tem outra agenda lotada. Claro que esse jovem e adolescente ainda tem demandas pessoais: casa, família, cursos, vestibular, e tantas outras. Problema maior é que, se você não participar ativamente de todas as programações, aos poucos será banido. Ainda temos em meio a uma sociedade urbana uma igreja em moldes rurais. Estamos no esquema onde achamos que toda a vida social gira em torno da igreja, e para que isso continue nos fazemos completamente ativista.

            O que precisamos fazer é um grande debate com nossa “galera” local. Perceber que eles hoje têm uma gama de conhecimentos e demandas que, muitas vezes, nem povoam nossos pensamentos. Não podemos cair no erro do esquema “deu certo no passado” ou até mesmo, de importar modelos que deram certos em outros lugares. Como destacamos anteriormente, hoje as demandas são locais, exigindo uma atenção personalizada e um diálogo cada vez mais aberto, verdadeiro e intenso.

Pelo que temos percebido, no caso dos jovens e adolescentes, temos que ajuda-los a aliviar as cargas. Criar espaços onde eles possam ser inseridos e aceitos sem pressiona-los com cobrança de rendimento e resultados. Necessitam de um local de acolhimento e relacionamento, pois, a agenda cada vez mais apertada e as demandas do mercado – escolar ou profissional – tem trazido quase o esgotamento completo e um consequente distanciamento dos relacionamentos. Parece-me importante diminuirmos nossas agendas “igrejistas” e incentivarmos uma agenda familiar-social para que eles fortaleçam suas identidades de base, onde, nestes espaços estarão testemunhando o evangelho do Reino. Precisamos assumir o jovem e o adolescente integral, não em partes, percebendo que a igreja não é o espaço de cuidar do apenas “espiritual” e sim do ser completo.

Fica claro que o desafio é de grande porte. Os caminhos certamente são diversos, pois, devem estar alinhadas com demandas locais. Neste tempo, faz-se fundamental perceber se nossa reflexão tem lugar na realidade. Precisamos urgentemente libertar nossa liderança das amarras do passado, e guiados pelo Espírito Santo estar atentos ao clamor do nosso tempo.

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