Nossa percepção de mundo e evangelho

Jovens que marcam seu tempo.

Que dia é hoje?

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“seja como for, (…) o jovem é fonte de novidade,

de estímulo e de esperança para um povo que sofre”[1]

 

A história nos mostra sempre a presença dos jovens na vanguarda de movimentos revolucionários. Claro que, apoiados por tudo que se fez no passado e pela luta de outros[2], eles lançam mão de suas capacidades e de sua natureza criativa e nos “abrem as janelas do futuro”. Assim marcamos nosso tempo.

Quando os jovens se distanciam desta natureza transformadora, todos ficam presos a antigos modelos que, em pouco tempo, começaram a apresentar sinais de saturação e desgastes.  E quando isso acontece todos sofrem.

Cabe a cada um de nós então a responsabilidade de trazer o novo. E esse novo é tudo aquilo que revela ao mundo a possibilidade de uma nova forma de viver.

Pode parecer que nessa minha fala estamos apresentando princípios meramente sociopolíticos, porém, vamos mais além, esses são princípios do próprio Deus que se revelou a nós.

Deus sempre se revela a homens e mulheres de maneira a trazer novidade de vida, fazendo com que as pessoas tenham sua dignidade e humanidade restaurada e suas vidas recuperadas pela ação libertadora de Deus em nossa história. Neste mover-revelar-agir de Deus é trazido ao nosso tempo o futuro que já nos é assegurado em Cristo Jesus, revelação máxima e perfeita do próprio Deus.

Podemos aqui perceber que em muitas das vezes são os jovens que percebem esse mover do Espírito. São eles que, percebendo o desgaste dos mecanismos ou até mesmo a opressão que o sistema traz, ouvem, ao mesmo tempo, o clamor do povo oprimido e o chamar de Deus a missão. Podemos lembrar-nos de alguns: José, Miriam, Moisés, Ester, Davi, Daniel, Maria, Timóteo e tantos outros. E nessa lista, claro, Deus deseja usar sua vida.

Então chegou a nossa vez. Cabe a cada um de nós, neste tempo, marcar esta geração. Como fazer isso? Pode ser a pergunta que transborda seu coração neste instante. Para propor um resposta, usaremos a carta de Paulo aos Filipenses para que possamos ter fundamentos para atendermos nosso chamado.

Leiamos Filipenses 2.1-8:

Se por estarmos em Cristo, nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus,

que, embora sendo Deus,

não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;

 mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo,

tornando-se semelhante aos homens.

 E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!

            Alguns elementos apresentados neste texto são fundamentos da caminhada cristã e, se aplicados e resgatados para o ordinário da vida, conseguiremos de forma relevante mudar o nosso tempo. Vejamos:

 

Somos chamados em Cristo para vivermos em unidade: “mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude” (v.2), é um chamamento para uma nova possibilidade de vida inaugurada por Cristo.

O que se pede aqui não é a aniquilação das capacidades individuais, mas a unidade, ou seja, na unidade temos a possibilidade de potencializar nossas capacidades e aperfeiçoar nossas forças. Desta forma, teremos sempre uma meio propícia para o desenvolvimento de um pensar que nasça sempre no amor e que revele o agir libertador de Deus em nosso tempo.

 

Somos chamados a viver com/para o outro: “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros”[3] (v.4). Esse é um aspecto de grande impacto em nosso tempo.

Em nossa geração temos o domínio do pensamento que “os fins justificam os meios”, ou seja, não importa o quão obscuro sejam os métodos usados no presente se o sucesso no final do processo for alcançado. Com essa forma de viver, pessoas simplesmente roubam, corrompem, matam, sem se preocupar minimante com o outro, pois o que importa são seus próprios interesses. Temos assim um mundo egoísta e antropocêntrico que caminha a passos largos para a autodestruição, pois ao final, só pode haver um vitorioso, e esse deve ser “eu”.

O viver em Cristo traz uma nova possibilidade redentora de vida, onde a vida deve ser vivida, e ganha maior sentido, não no atingir somente de nossos objetivos individuais, e sim no lutar pelo sonho e pela vida do outro.

Neste sentido, conseguimos aqui superar os limites da lei, pois, ao vivermos desta forma, o que é possível somente no Espírito Santo, atingiremos o mandamento do amor deixado por Cristo, “ame o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.39). Aqui vencemos o solidão do “eu” para alcançarmos a criatividade e a potencia do “nós”.

 

Percebemos então a profundidade e o alcance transformador de nosso chamado. Porém, como conseguir viver desta forma, em unidade e amor fraternal? Paulo nos dá o exemplo de Cristo, e nos diz, “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”. Ou seja, só em Cristo podemos realmente ser desta forma. Destacaremos agora dois princípios fundamentais no viver de Cristo que devem ser trazidos urgentemente para nosso tempo.

 

Encarnação

“sendo encontrado em forma humana”

               O próprio Deus se revela a nós como homem. Jesus assume toda nossa fragilidade, limitação para alcançar a nossa realidade. Ele encarnou, tornou-se um de nós. Isso traz grandes significados e mostra em nosso tempo a necessidade de “quebrar barreiras”.

Ao vermos Jesus em seu ministério, veremos sempre ele cercado de pessoas, mais do que isso, veremos Jesus comprometido com pessoas. Não raras as vezes que Ele demostra sua humanidade e sensibilidade com a dor do povo e das pessoas. Jesus chora, se irrita, sente fome, fica cansado. Todos os sentimentos e as aflições humanas foram enfrentados e vivenciados por Jesus, e, nem por isso ele se tornou menos santo. Pelo contrário, sua vida, perfeitamente humana e sem pecado nos revelou a forma original de sermos gente, o “segundo Adão”.

O que vemos, no entanto, são duas posturas conflitantes, e, que na verdade, não contribuem para o anuncio do evangelho. Alguns de nossos jovens, talvez a maior parte, se envolvem com as coisas do mundo, se perdem, e com o tempo, já não é mais possível perceber diferença entre ele e os outros. Esse é o processo de secularização, onde somos completamente envolvidos pelo Sistema.  Outros se distanciam de tudo, ficam alienados. Acham que não precisam contribuir com suas vidas, profissões, talentos para este mundo, pois, em última instancia, “o mundo jaz do maligno” (I João 5.19). Porém, o mundo que se faz menção no versículo não são as pessoas ou a criação, mas sim o sistema mal e impregnado de injustiças. Contra este mundo (sistema) devemos lutar, questionar, denunciar e, claro propor e testemunhar o modelo do Reino de Deus, proclamando a Sua Salvação e um novo modo de vida.

 

Esvaziamento

“não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;

mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo”

 

Isso é restaurador para nosso tempo de intenso individualismo, onde o valor da pessoa é determinado por sua capacidade de consumo, pelo seu endereço ou por sua conta corrente. Em nosso tempo moderno e pós-moderno, somos pelo que temos, e isso é uma redução absurda do valor do outro.

Ao olhamos para Cristo vemos uma nova possibilidade de “ser” no mundo. Nesse canto de Paulo, vemos que Jesus, mesmo sendo Deus, não se apegou a isso, porém esvaziou-se. Abriu mão de todo seu poder para alcançar a todos. Ficou disponível para fazer a vontade do Pai, abrindo mão de seu próprio querer. Nesse caminho vemos o inigualável amor do Deus-Trino, que abre se esvazia para criar espaço para a criação e restaurar a vida de homens e mulheres.

Somente nesse esvaziamento faz-se possível o serviço, pois, como atender a demanda do outro se as minhas necessidades são prioritárias? Ou se julgo-me superior ao meu próximo? Quando, porém, nos esvaziamos do nosso eu-ego, conseguimos ver e perceber a necessidade do outro e atende-lo em amor-serviço.

 

Assim faz-se fundamental o esvaziamento de nossa individualidade para que no relacionamento com Deus Trino possamos de maneira honesta e verdadeira alcançar a humanidade, que, pelo que percebemos, só conseguiremos alcança-la no caminhar, ou seja, sempre será um processo de construção inacabada, onde somente terá sua plenitude no “novo seu e na nova terra”. Por enquanto, somos habilitados pelo Espírito Santo ao receber o Filho Jesus, oferta de amor do Deus Pai, como nosso redentor. Nele podemos ser novas criaturas entrando na família trinitária e percebendo os outros como irmãos e irmãs ainda distantes do Pai.

 

Assim, vivendo em unidade de pensamento, disposto a viver com/para o outro, certamente seremos jovens que marcam nosso tempo, e contribuiremos para que outros possam ver e perceber Jesus em nós. Somente alcançaremos essa postura, vivendo em Cristo, pois assim encarnaremos a realidade de nosso tempo e conseguiremos ouvir-responder as demandas atuais. Nesse sentido, faz-se fundamental o esvaziamento individual, afim de que, a glória de Cristo tome conte de nosso ser, nos capacitando ao amor-serviço.


[1] DICK, Hilário. Jesus Cristo e os Jovens. Jesus de Nazaré, profeta da liberdade e da esperança p.339. EDITORA UNISINOS.

[2] Vale aqui destacar o belíssimo texto de LE GOFF, “Somos anões carregados nos ombros de gigantes. Assim vemos mais, e vemos mais longe do que eles, não porque nossa visão seja mais aguda ou nossa estatura mais elevada, mas porque eles nos carregam no alto e nos levantam acima de sua altura gigantesca”. (LE GOFF, Jacques. “Os intelectuais na Idade Média”. Rio de Janeiro: José Olímpio, 2003. p. 36).

[3] Destaco aqui a versão deste mesmo texto encontrada na Bíblia do Peregrino, Editora Paulus: “ninguém procure o próprio interesse, e sim o dos outros”. Percebo que, em nosso atual momento de individualismo e consumismo, esta radicalidade é fundamental para resgatarmos o valor da vida e dignidade humana. Viver com/para o outro é desafio libertador e humanizador.

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