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Quem é você?

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Quem é você??????????

 

 

Talvez uma das maiores crises da adolescência e da juventude é se descobrir enquanto pessoa, perceber sua própria identidade. Chegamos nesta fase e, inevitavelmente somos desafiados a fazer escolhas e a descobrir nosso espaço no mundo. É a época em que escolhemos amigos, começamos a andar sozinhos, escolhemos nossa faculdade e profissão, começamos a pensar em família, consequentemente em um dos mais desafiadores momentos dessa passagem de vida: namoro, noivado e casamento. Ou seja, é realmente uma fase não só conturbada e desafiadora. É um período de intenso aprendizado e com reflexos para toda nossa caminhada.

Claro que nesse processo de formação de identidade, cada pessoa enfrentará de forma diferente, e também, não é minha intenção aqui dar uma receita que fará com que todos tenham uma formação tranquila e sem desafios, ou seja, uma “forma de identidade”. Acho que isso seria uma desvalorização da pessoa como indivíduo, pois sendo cada homem e mulher, uma pessoa, tem cada um deles processos individuais e tempos distintos.

O interessante, porém, é saber que nossa identidade não é algo fechado, que uma vez formada, não haverá possibilidade de crescimento, reavaliação e mudança de caminho. Pelo contrário, somos pessoas em constante modificação e construção. Aprendemos durante toda nossa vida e inserimos estes aprendizados em nossa identidade. No entanto, é na adolescência e na juventude onde essa característica é mais facilmente percebida e amplamente significativa na formação da pessoa humana.

O que podemos perceber até aqui é que nossa identidade é também fruto de relacionamento e que, inevitavelmente passamos por crise de identificação. Nesse processo ainda temos todo um desafio de aceitação. Temos necessidade de sermos aceitos pela sociedade, e essa procura por aceitação pode marcar profundamente nosso processo de identidade e de formação do indivíduo. E isso é ainda mais marcante nos adolescentes e jovens.

Nossa sociedade é caracterizada por consumismo e obsolescência. Quase tudo que consumismo, o fazemos por indução de uma determinada marca ou modelo de consumo. Isso facilita a globalização e produção de produtos “modelos”. O problema é que por muitas vezes, associamos o “ter” e “possuir” destes produtos, serviços ou marcas ao “ser” do indivíduo. Logo, criamos uma pressão social absurda, pois se, determinada pessoa, não possuir ou pensar de acordo com determinado modelo é simplesmente excluída da sociedade, considerada um ser alienado e incapaz de “significar” algo para o mundo pós-moderno. Outro problema ainda, é que, ao participar deste mundo do “ter”, somos tornados obsoletos com uma extrema velocidade, e, certamente ao tentarmos acompanhar esse ritmo frenético, não conseguiremos, e se tornaremos pessoas ansiosas e decepcionadas por não conseguir manter o padrão mundial de “coisificação”[1].

 

Momento de Crise de Identidade[2]

O que vemos é uma geração que acompanha modelos e padrões ditados pelo sistema e tenta segui-los a qualquer custo. Aqui não destaco o problema do sacrifício financeiro (que também é muito alto), mas o custo da formação da identidade do adolescente e jovem.  Vemos meninos e meninas mergulhando em grupos e jeitos de agir, simplesmente pelo fato de ser este o que está no momento na “moda”, ou pelo contrário, por ser este o totalmente contra o sistema. Tentam se agarrar a “modelos” passageiros para afirmar sua própria identidade e pessoa. O problema é que este modo de vida “colagem” (com vários modelos e características em uma mesma pessoa) acaba por trazer grande confusão. É uma geração  que acorda como roqueiro, estudam como nerd’s, relacionam-se  como “emo” e dormem sem saber o que realmente são.

Aqui se percebe talvez o máximo da crise de identidade. Quando em diversas tentativas e construção do “ser” não nos percebemos em nenhum deles. Começamos então a se achar como incapazes de expressar nossa individualidade e nos aprisionamos em nós mesmo, dizendo em nosso interior, que não temos valor individual, e sedemos ao sistema. Tomamos como estilo de vida o “fazer o que todos fazem”. Não conseguimos fazer uma avaliação de como estamos e nos deixamos levar pelos outros. Talvez aqui a história de “Alice”[3] pode nos ajudar muito.

Não vou aqui explicar toda história, mas vou me ater a uma cena, a que Alice se encontra em frente ao espelho. Ela depois de uma grande caminhada pelo país, de se achar pequena e gigante, bonita e feia, se depara com o espelho e se pergunta quem ela é? Ali ela confronta todo o seu caminho e percebe que algo deve ser mudado. Ela percebe-se coo pessoa em construção e resgata a necessidade e o valor de Alice enquanto indivíduo. Fica então uma questão: como superar essa crise?

Superação da Crise

O que mais coopera para que jovens e adolescentes superem essa crise é a valorização de sua própria identidade. Chamaremos aqui do resgate do “ser”. Para isso proponho leitura de alguns textos bíblicos. Mediante a esses textos vamos perceber a centralidade da pessoa, do indivíduo na tradição cristã e a recuperação de cada um de nós enquanto pessoas e resgate de nossa humanidade. Leiamos:

“E Criou Deus O Homem À Sua Imagem: À Sua Imagem O Criou;

Macho E Fêmea Deus Os Criou”

Gênesis 1.27 (NVI)

“Tu Criastes Cada Parte Do Meu Corpo, Tu Me Formaste Na Barriga Da Minha Mãe…

Tu Vistes Quando Os Meus Olhos Estavam Sendo Feitos…

Tu Me Vistes Antes De Eu Ter Nascido.

Os Dias Que Tu Me Destes Para Viver Foram Todos Escritos No Teu Livro

Quando Eu Nenhum Deles Existia.

Salmos 139.13-16

 

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que,

embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;
mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
Filipenses 2:5-7

               Percebemos o quanto somos amados e desejados por Deus. Não somos “fantoches” ou marionetes de um ser manipulador. Também, não somos espíritos aprisionados em matéria corporal e por isso, esperando ansiosamente pela liberdade do corpo, para assim atingirmos uma condição superior, como acredita a filosofia grega.

Pelo contrário, somos criação de Deus, e “feitos a sua imagem”. Não por acidente, mas por plano e vontade criativa e criadora da própria Trindade. Nela, desde o início somos chamados a sermos seres responsáveis e coparticipantes da história e criação do mundo. Somos capcitados a sermos homens em mulheres capazes de criar e gerar vida. Ou seja, Deus nos criou indivíduos, realmente seres que encontram na relação com o próximo e principalmente na relação com Deus, à formação de sua verdadeira identidade. Claro que sabemos de nossa fragilidade e pecaminosidade mediante a queda. Mas Deus, mediante ao seu imenso amor, enviou seu Filho (João 3.16), Jesus Cristo, o segundo Adão, novo homem, perfeito e sem pecado, e na vida e ressurreição de Jesus temos a redenção e a possibilidade de resgatar nossa identidade perdida e nos reencontrarmos com nosso ser original (indico a leitura de Romanos 6.1-14).

Assim ao olharmos para criação e para re-criação em Cristo, percebemos o comprometimento com o resgate da pessoa humana, homem e mulher, são igualmente criados e resgatados por Deus, e são igualmente, mediante a aceitação do Cristo, habitação do Espírito Santo. Podemos então agora responder a questão inicial: quem sou eu?

 

Somos filhos de Deus.

Em Cristo, na sua vida, e no seguir os seus passos, somos feitos nova criaturas, somos feitos “filhos de Deus”, como expressa de forma profunda João:

 

Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai,

que fôssemos chamados filhos de Deus.

(…) Amados, agora somos filhos de Deus,

e ainda não é manifestado o que havemos de ser.

Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele;

porque assim como é o veremos.

E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo,

como também ele é puro.

1 João 3:1-3

 

            Aqui alcançamos o ponto definitivo de nossa caminhada. Somente em Cristo podemos ser verdadeiramente a pessoa que deveríamos ser. Nele, conseguimos viver também o mistério kenótico, como dito em Filipenses, abrindo mão de nosso orgulho e pretensão autossubsistência, que foi o que fez Adão e Eva decidindo que eles eram capazes de manter a vida e decidir seu próprio “eu”. Somente na entrega e dependência total de Cristo, mediante a cruz, que mortificamos nosso velho homem e mulher, inseguro e incapaz, e ressurgimos em Cristo (Romanos 6.7), pois ele nos resgata e concede vida. Em Cristo, que nos da seu Espírito, alcançamos a graça de sermos nova criatura e somos chamados Filhos de Deus.

Somente do habitar de Cristo em nós, conseguimos nos relacionar com o Pai,  e sermos inteiramente aceitos na família de Deus. Somente por Cristo que conseguimos nos relacionar com os nossos irmãos e irmãs, aprendendo com eles e expressando o amor de Deus por nós e em nós. Somente em Cristo, podemos servir o outro, abrindo mão de nosso orgulho e de nossa necessidade. Em fim, somente em Cristo conseguimos restaurar nossa identidade. Em Cristo você inteiramente é aquilo que Deus sempre sonhou que você seria.


[1] Ver texto “Coisificação” no blog, www.deivismacedo.com

[2] Para maior compreensão do processo de formação de identidade ver estudos de Erickson (1968) e Marcia (1966). Indico para uma iniciação o artigo de TARDEL, Denise D´Aurea em http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/23/artigo69939-1.asp , acessado em 22 de junho de 2013 às 17:00h.

[3] Indico que o leitor veja o filme de Tim Burton “Alice no País das Maravilhas” gravado em 2010.

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