Nossa percepção de mundo e evangelho

A Vida de Jesus traz esperança

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“Enquanto a esperança não penetrar a modificar o pensamento e a ação do ser humano, ela continuará inútil e ineficaz. Por isso, a escatologia cristã deve tentar trazer a esperança para o pensamento do ser humano, e o pensamento, para a esperança da fé”.

[Jürguen Moltmann]

“sei em quem coloquei a minha fé”

[II Timóteo 1.12]

Nestes últimos anos aqui na PIBAP temos sido conduzidos em uma série de estudos que nos confrontam e nos desafiam a um viver diferente. Na verdade, a um viver pelo Cristo, para o Cristo e por Cristo. Fomos impulsionados a perceber a centralidade de Cristo na vida cristã e, do mesmo modo central, a importância da sinalização do Reino por parte de todos os santos. Vimos que para isto seja possível, faz-se necessário assumirmos uma postura de amor-serviço, assim como fez Jesus de Nazaré. Assim somos convidados a viver por Cristo.

Ao mesmo tempo em que, percebemos este chamado de Cristo, vivemos em tempos em que as injustiças no meio de nosso povo não conseguem ser mais escondidas. Todos nós sabemos das mazelas sociais: fome, doenças, guerras, crianças e mulheres sendo violentamente desumanizados, tráfico de pessoas, escravidão. Vemos pessoas sendo descartadas e coisas são supervalorizadas, isso tudo, reflexo de uma sociedade fundamentada no consumo e no imediatismo. A corrupção se torna a cada dia parte normal do processo de qualquer negociação. Estas são realidades inegáveis. Como conseguir avançar e não ceder ao medo, desespero ou desesperança nestes momentos em que parece o mal ter a vitória? Para responder, quero propor a leitura de alguns textos:

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.
Salmos 121:1-2

Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo.
Romanos 15:13

De onde vem meu socorro?

Está pergunta ecoa na humanidade e claro, dentro do coração de cada homem e mulher que possamos conhecer. Cada um de nós tem um pedido de socorro, mesmo que este, muitas vezes possa estar escondido para que ninguém perceba nossas fraquezas. Mas, em algum momento ele ecoa. Sai de nossa garganta.

Na época dos Salmos se acreditava que os montes eram a “morada dos deuses”, lá estaria o socorro. Por isso o salmista pergunta: de onde vem o socorro? Porém o salmista nos ensina a não depositar nossa fé e esperança nos “deuses do monte”. Pelo contrário, ele nos ensina que nosso socorro está “no Senhor que fez os céus e a terra”. NEle é onde deve estar depositada nossa fé.

O grito de socorro de nossa alma e do mundo só pode ser atendido por Cristo. Por isso, quando tudo parecer perdido e as aflições do mundo estiverem parecendo tomar conta de tudo, devemos direcionar nossos olhos para Deus que nos fez promessa que de não nos deixaria só. Perceber que Ele, por meio de Seu filho Jesus, resgatou-nos da morte e em sua ressurreição temos a garantia de vida e a possibilidade de um nova realidade. E, para não nos deixar desamparado nos move pela força do Espírito Santo, reanimando nossa fé e esperança, que é o que lemos em Romanos 15:13.

A esperança nos lança ao serviço

Assim, a esperança em Cristo, não nos deixa prostrados e insensíveis às lutas e dificuldades de nosso tempo, pelo contrário. Por termos a certeza da vida que há em Cristo, garantida na ressurreição, nos envolvemos no anúncio do Reino de Deus que está no meio de nós. Sabemos de onde vem nosso socorro e por isso não nos desviamos do caminho. Como destaca Jürgen Moltmann, as afirmações da esperança,

“não pretendem iluminar a realidade que aí está, mas a realidade que virá. Não querem produzir no espírito uma imagem da realidade atual, mas levar a realidade atual e transforma-se naquilo que está prometido e é esperado”.

Desta forma a esperança que nasce em Cristo, não lê a promessa de “um novo céu e uma nova terra” onde “não haverá mais choro, nem dor” (Apocalipse 21), e fica paralisado aguardando o que virá. Não percebe a esperança como algo último, mas percebe como algo primeiro, como fundamento da fé. Assim a esperança nos põe em marcha. Nos desperta ao fato de sermos embaixadores do Reino de Deus, e que este, nos capacita e nos chama para questionar os atos deste mundo e a fazer a oração que Jesus nos ensinou, “Venha a nós o Seu Reino”. Por isso, MOLTMANN destaca que:

“quem espera em Cristo não pode mais se contentar com a realidade dada, mas começa a sofrer devido a ela, começa a contradizê-la. Paz com Deus significa inimizade com o mundo, pois o aguilhão do futuro prometido arde implacavelmente na carne de todo presente não realizado”.

Fica claro que a fé cristã não é uma fé alienante, mais uma fé encarnada, que age no mundo e fala a nossa realidade. A fé cristã faz com que homens e mulheres, em meio ao turbulento mar da vida, possam ter a segurança em Cristo. Ou seja, a esperança não nos tira do mar – não nos tira da vida – mas nos da à garantia de que alcançaremos o nosso lugar. Neste aspecto, o escritor aos Hebreus, nos aponta que “Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura” (Hebreus 6:19).

Por isso a esperança tem muito a dizer para nossos dias.

Como vimos nosso mundo deixa pessoas e mais pessoas desamparadas e sem esperança, pois estas, não conseguem perceber nenhuma possibilidade de mudança. Nós também em meio a nossa caminhada podemos nos sentir sem esperança. Porém Cristo nos convida para uma nova vida. Nos lembra para olharmos por cima dos montes. Enxergar a “vida plena” garantida por Ele, que entendo ser, uma vida cheia de esperança, tendo em vista o futuro que nos é garantido como promessa, e este futuro, pela fé no Cristo que vive e reina nos faz perceber seus sinais no presente. Impele-nos a agir no nosso tempo e a assim, QUEIRUGA nos desperta que “o cristianismo só cumpre verdadeiramente sua missão se contagia de esperança os homens”. Isso porque não existe vida sem esperança e não existe esperança que não nasça em Cristo.

Que possamos estar com nossos corações ancorados na esperança e desta forma seguir o conselho de Pedro: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (1 Pedro 3:15).

REFERENCIAS

– MOLTMANN, Jürgen. Teologia da Esperança: estudos sobre os fundamentos e as consequências de uma escatologia cristã. 3 ed. ver. e atual. São Paulo. Edições Loyola, 2005.

– QUEIRUGA, Andrés Torres. Esperança apesar do mal: a ressurreição como horizonte. São Paulo. Editora Paulinas, 2007.

– SUNG, Jung Mo. Sementes de Esperança: a fé em um mundo em crise. Petrópolis. Editora Vozes, 2005.

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