Nossa percepção de mundo e evangelho

Venha o Teu Reino

Que dia é hoje?

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Dos Evangelhos o que mais encanta é o segundo. Marcos é rápido, com uma mensagem enfática, uma densidade e inteireza arrebatadora. Poderíamos dizer que Marcos quer mostrar Jesus, e isso ele o faz de maneira ímpar. O livro abre a “sinfonia” com o tom de todo o livro: “Começo da boa notícia de Jesus Cristo, Filho de Deus” (v.1 – BP).

Seguindo o mesmo ritmo, ainda no primeiro capítulo, narra-se o início do ministério de Jesus. O Filho de Deus anuncia o evento que mudaria a historia: a sua chegada. Por Cristo vir e estar entre nós, ele diz: “completou-se o tempo oportuno e o Reino de Deus se aproximou. Arrependei-vos e crede no Evangelho (ou na boa notícia)” (v.15). Fica clara a introdução do evangelista. A chegada do Messias inaugura um novo tempo, o Reino de Deus, trazido a nós por intermédio de Cristo, e por isso há justiça e o fim da opressão. Em Cristo há a salvação integral do humano. Isso possibilita imediata e integral libertação do homem e da mulher, isso é a boa notícia inaugurada por Cristo.

O Filho de Deus andou entre nós. Mudou nossa forma de ver, agir, pensar e entender o mundo. Transformou nossa forma de relacionar com Deus, e, consequentemente com o próximo. Ele mesmo falou de sua morte, de sua entrega, de sua ressurreição. Ele nos incumbiu da continuidade de Sua própria missão. Esse é o fechamento do livro de Marcos: “ide por todo o mundo, proclamando a boa notícia a humanidade” (16.15).

Podemos nessa rápida abordagem perceber que temos pontos inegáveis: o advento do Cristo inaugura o Reino de Deus entre nós e por isso há a realidade de boas notícias. Outro sim é a responsabilidade da igreja no anúncio dessa boa notícia a todos. Logo, faz-se fundamental entendermos essas duas realidades.

O Reino de Deus.

                Como entender o Reino de Deus? Essa certamente é uma pergunta que passa na mente e no coração de muitos de nós. Para que possamos avançar, lançarei mão do Evangelho de Lucas 4.14- 21 (esse texto tem seu paralelo em Marcos 6.1-6a):

Jesus voltou para a Galiléia no poder do Espírito (…) Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”. Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele; e ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”.

Nessa narrativa, Jesus lê o profeta e se apresenta como o cumpridor da profecia. Toda a esperança de redenção, libertação e graça estava diante deles, Cristo. Jesus apresenta a entrada do Reino e aponta para os sinais do Reino de Deus na terra: boas novas, libertação. Essa é a notícia que muda nossa vida e história: Cristo chegou e Deus Reina, há então uma nova possibilidade de vida para nós.

Vemos isso claramente em Marcos. Logo depois de Jesus convocar homens e mulheres ao arrependimento e crer no Reino de Deus (1.15), é manifesto as ações do Reino no povo. Agora, havia a possibilidade da justiça e salvação. Por que isso acontece? Jesus traz em si mesmo a presença de Deus e sua força eterna de amor. É inaugurado um tempo de bem, boas notícias de salvação. Logo, se há presença do mal deverá recuar, pois o Reino de Deus chegou. Se tivermos injustiças haverá a luta pela justiça e equidade, pois o Reino de Deus chegou. Quando nossos corações estiverem perdendo as esperanças, com vidas destruídas e sem significado, poderemos voltar nossos olhos para Cruz e perceber nela a vida, trazida e anunciada por Cristo e em Cristo, assim resplandece novamente a presença da esperança em nossos corações. É o que Marcos apresenta: há libertação dos que antes eram aprisionados do inimigo (1.25-26). Outros são livres de suas doenças (1.32-34). Pessoas excluídas são reinseridas na sociedade e curadas de suas moléstias (1.40-44).

Percebe-se uma sequência inegável. Aonde Jesus chega o mal recua. Não há como coexistir luz e trevas.

Voltemos ao ponto inicial. O Cristo trouxe para nós a realidade do Reino. Ele Reina, por isso pode haver salvação, liberdade e justiça entre homens e mulheres. Isso é a boas novas (não podemos esquecer nunca que boas novas é o Evangelho) do Reino. Porém o que acontece que ainda sofremos injustiças?

Nossos dias

            O que temos em nosso tempo é um número enorme de igrejas irrelevantes e uma crescente massa de cristãos despreocupados com o que acontece à sua volta. Essas posturas, são reflexos de posturas contrárias ao que o próprio Cristo nos anunciou. Lembre-se das palavras finais de Cristo no evangelho de Marcos, “ide por todo o mundo, proclamando a boa notícia a humanidade” (16.15). Ele nos deixou esta missão de maneira vaga ou de forma que pudéssemos nos abster desta responsabilidade. A missão foi deixada para a igreja. Logo, como seguidores de Jesus temos uma responsabilidade para com o anúncio e a sinalização do Reino.

Ao contrário disso alguns cristãos “descrentes” com a realidade do Reino que chegou. Sua falta de fé e esperança já os faz céticos em relação ao Reino de Deus e a sua mensagem de transformação de vidas.

Outros pensam que o Evangelho é algo que envolve somente a vida futura, aquilo que está no céu. Alguns chegam a dizer que “quanto pior melhor”, pois isso é o sinal dos tempos. Dessa forma, estaríamos abreviando o tempo para o retorno de Jesus. Porém, a verdade das Boas Novas de Cristo é que ela se manifesta já em nosso tempo, não se reserva somente para o que há de vir. Vemos isso durante o ministério de Cristo. Pessoas indo ao encontro de Cristo, confiando e buscando a chegada do Reino, e por isso havia restauração. De maneira contagiante também a igreja de Atos manifestava o Reino de Deus a ponto de “haver sinais e maravilhas (…) não haver entre eles necessitados” e ainda de “terem tudo em comum” (At 2.42-47). Cristo deseja isso de forma tão ardente, o Reino já entre nós que nos ensina a orar assim “venha o Teu Reino (…) assim na terra como no céu” (Mt 6.10). Dessa forma fica bem claro que o Reino já está entre nós e suas mudanças começam desde já.

Talvez a pior situação esteja naqueles que anunciam o Reino de Deus como sendo uma fórmula de obter benefícios financeiros ou ainda de provar que na verdade eles têm uma espécie de selo ou marca espiritual que os autoriza a “explorar”, opz! Ato falho, prosperar. O que temos visto são muitos procurando esta forma de “comercializar a fé” e, ao se dedicarem muito a não conquistarem aquilo que, segundo eles, teriam direito, se esfriam completamente e se distanciam da fé. Esse tipo de Evangelho tem matado a fé de muitos.

Sei que todos nós temos que lutar diariamente para não sermos apanhados por esse tipo de postura. Todos estes são atalhos muito atraentes, porém, em se tratando de chegar e participar do Reino de Deus, só existe um caminho: Jesus Cristo, Filho de Deus. Ele mesmo é o caminho. Por isso estejamos firmes e constantes no Senhor.

Mas, em meio a esse cenário, como deveria ser a igreja?

Imagine a Igreja Ideal

Quero convidar a você a imaginar neste momento a “Igreja dos Seus Sonhos”. Isso mesmo, a igreja perfeita e ideal.                Pode colocar nela de tudo. O melhor departamento infantil, um ministério de jovens ativo e funcional, todos envolvidos na oração e na pregação. Consultórios médicos funcionando. Cursos, reforço escolar, creche… Pregação e louvor relevantes… Tudo isso vale. Pode completar seus quadro de Igreja ideal com o que você achar importante. Agora você entra nessa cena. Você é ativo, faz aquilo que gosta e que sempre sonhou em fazer na sua Igreja. Ajuda pessoas, trabalha na organização das atividades comunitárias. Isso mesmo, você faz parte dessa Igreja Ideal.

Qual a sensação que você experimentou? Satisfação? Porém a pergunta que eu quero fazer é: o que você (e eu também) tem feito para que essa Igreja Ideal aconteça? Temos nos envolvido na anunciação do Evangelho e, desta forma, inseridos na realidade e desafios de nossa igreja e comunidade? Será que temos colocado desculpas vazias e limitações irreais para justificar nossa inoperância e insensibilidade? Se tivermos agindo desta forma estamos sendo peso para a geração que se levanta e não cooperamos para o avanço do Reino de Deus.

Revendo Posições e quebrando crenças

Isso mesmo. Podemos simplesmente ser empecilho para a sinalização do Reino de Deus em nosso tempo. Claro, o Reino de Deus avançará e cumprirá seus desígnios, pois Ele reina e é o Senhor da história. Nossa postura mediante a mensagem do Evangelho pode fazer-nos crentes com posturas completamente irrelevantes a nossa sociedade e nossa geração.

Digo isso, pois o Reino de Deus não se mostra com efeitos pirotécnicos e escandalosos. Os evangelistas destacam essa essência do Evangelho nas palavras de Jesus: “o reino dos céus é como um tesouro escondido” (Mt 14.44), ainda, “Por isso lhes digo: peça e lhes será dado: busquem e encontrarão”.  Jesus mesmo por diversas vezes pede segredo aqueles que Ele mesmo cura, e ainda, passa a maioria de seu ministério em pequenas cidades. Cristo não busca holofotes. Ele sabe que o Reino de Deus é como uma “pequena semente” (Mc 4.30-34). Apresenta-se de forma frágil e humilde. Quase que trazendo a nós, ao invés de esperança, descrédito. Porém, no interior de sua mensagem e do evento de Cristo há toda a força que restaura a vida. O Reino de Deus deve ser buscado, internalizado em nossas vidas de tal forma, que no habitar o Cristo em nós, resplandeça em nossos corações e exale em nossos poros a força impulsionadora do Evangelho. Neste espírito, podemos declarar aos que nos cercam: Cristo Reina, por isso há salvação e chegarão a justiça, paz e alegria (Rm 14.17) neste lugar. Lutaremos pela força de Cristo para mudar essa realidade que hoje se apresenta. Poderemos desta forma orar como Cristo nos ensinou: “Venha o Teu Reino”. Amém.

 

REFERÊNCIAS:

COMBLIN, José. A fé no Evangelho. São Paulo. Editora Paulus, 2010.

PAGOLA, José Antonio. Pai-Nosso, Orar com o Espírito de Jesus. Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 2012.

RAMOS, Ariovaldo. Nossa Igreja Brasileira. São Paulo. Editora Hagnos, 2009.

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