Nossa percepção de mundo e evangelho

Estranho ou Estrangeiro?

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Muito se tem falado em nossos dias sobre como ser relevante no mundo. Como, enquanto jovem cristão, posso ser relevante em meu tempo? Essa é uma questão que a bem pouco tempo atrás não era sequer comentada ou lembrada em nossas igrejas. Estávamos todos preocupados em cuidar somente de nossas vidas espirituais. Chegávamos ao ponto de ouvir (quase a totalidade dos nossos irmãos) dizer: “Quanto pior melhor. Assim Jesus volta logo”. Mas será que essa é uma postura cristã? É assim que conseguirei ser relevante no mundo, não me envolvendo com a “essa gentalha”?

Essa é uma questão fundamental para que possamos entender e conversar sobre relevância cristã. Se não observarmos os Evangelhos, que nos apresentam o modelo de vida e missão cristã, que é o próprio Jesus, estaremos cada vez mais nos distanciando da realidade do mundo e da verdadeira mensagem de Boas Novas. Estaremos entrando em “túneis escuros” e em “bolhas de proteção” para que assim estejamos protegidos do mundo. Porém, essa postura de isolamento, faz-nos portadores de uma mensagem insignificante, insossa e inerte, em fim, irrelevante para nosso tempo e geração.

Como podemos mudar essa realidade?

Vejamos o seguinte texto:

Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;
Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; 
que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

João 17:15-21

 

Esse é um trecho específico, da extensa oração (a maior registrada nos Evangelhos) que Jesus fez. Ele aqui nos revela muito de nossa identidade enquanto cristãos e de como deve ser nosso modelo de vida enquanto no Mundo.

Como já dito, muitos ainda tem o entendimento de ver o mundo como um mal em nossas vidas. Uma forma de penitência. Esquecemo-nos que o próprio mundo é criação de Deus (Gn 1.31) é que toda criação é boa. Não queremos ver que a própria criação manifesta Deus (Rm 1.20). Muitos parecem torcer continuamente para que o noticiário da TV e da Internet possa ser cada dia mais de um tenebroso fim anunciado. Alguns querem desastres naturais, o início de uma guerra. Outros chegam ao absurdo de acharem que a fome e a miséria que comunidades inteiras sofrem, é punição divina e que eles devem realmente passar por toda essa injustiça, como se isso fosse o “peso da mão de Deus” devido ao seu pecado (no caso dos orientais) e de sua idolatria (no caso dos africanos). Não percebem que isso é fruto da ação pecaminosa da humanidade, que a muitos exploram e oprimem, em busca de lucro. Esse é o triste entendimento de muitos em nossos bancos.

Porém, Jesus nos apresenta outra forma de vida cristã. “Não peço que os tires do mundo”, será que esse pedido de Cristo ao Pai é para submeter-nos a uma vida de dificuldades também? Na verdade não. Ele, o próprio Cristo, nos envia em missão: “também eu os enviei ao mundo”. Ele nos mostra que devemos estar no mundo para que através de nossas vidas as pessoas possam ter a mesma oportunidade que nós: “para que o mundo creia que tu me enviaste”.

Há então um modelo de vida revelado para nós na oração de Jesus. Essa é a postura que devemos entender e assumir diariamente. Daí advém nossa questão inicial. Estranho ou estrangeiros?

Estranho

Essa é uma postura que pode ter inicialmente ares de santidade de pureza, mas na verdade é uma postura de medo e de insensibilidade com a realidade do mundo. Passar a vida procurando se distanciar do mundo e de suas aflições é uma pessoa que abriu mão do Evangelho.

Quando assumimos a postura de estranho, é como se estivéssemos visitando outro país em viagem. Ou seja, iremos lá, nos aproveitaremos de suas belezas e daquilo que o povo pode produzir para nós, e ao final, vamos embora, com somente algumas fotos e lembranças. Não temos o menor comprometimento com o que acontece naquele lugar. Sabemos minimamente sua história, realidade e necessidade. Na verdade, para o estranho, o melhor é continuar assim, sem ser notado. Sua presença é, e deve ser irrelevante.

Podemos observar essa mesma postura, em muitas vezes, em nossa própria caminhada, pois na verdade essa é uma postura cômoda e sem riscos. Fazemos assim em nossa família, rua, escola, faculdade, trabalho, igreja, comunidade, cidade… E assim por diante. Do universo mais micro para o mais macro, assumimos uma postura de não envolvimento. Queremos ser estranhos a “estes mundos” todos que transitamos. Dessa maneira, nossa história enquanto pessoa, não se mistura na história da nossa comunidade. Não encarnamos a realidade do nosso tempo.

Qual Evangelho que poderemos testificar dessa forma? Sem saber os desafios, anseios e da necessidade de quem nos cerca? Conseguiremos ser relevantes assim? Sinceramente acho que não. Faz-se urgente então assumirmos outra postura.

Estrangeiro

                Enquanto estrangeiros, assumimos uma identidade local. Pessoas de outra nacionalidade que moram hoje, por exemplo, no Brasil, já falam nossa língua, entendem nossa história, conhecem e vivem a nossa realidade e desafios cotidianos. Em fim, estão sujando os pés no mesmo chão que nós estamos andando. Percebem nossas dificuldades e tentam contribuir para que essas se modifiquem. Estrangeiros vivem em seu novo pais. Estes escolheram encarnar a realidade para poder contribuir a ajudar no processo de mudança.

Podemos ver isso na história de vida de várias pessoas que um dia visitaram um país como estranhos. Ao lá chegarem, começam a conhecer e a se envolverem na história local, se sensibilizam com a realidade, se encantam. Pronto, decidem dedicar suas vidas a essa nova terra. São agora estrangeiros. Percebem a necessidade e a possibilidade de contribuírem com sua própria história de vida, para a história dessa nova terra. O estrangeiro, necessariamente, encarna a realidade de onde ele vive. Ele não perde sua nacionalidade, sua origem, não esquece nunca de sua terra natal, porém, não se ausenta de se envolver na nova terra.

Consegues perceber essa disparidade entre estranho e estrangeiro? Só ao percebermos essa diferença é que poderemos analisar nossa postura enquanto cristãos. Para um tempo agora e reflita: Como tem sido nossa forma de vida? Qual parece ser a postura que o texto de João nos apresenta?

Cristo nos envia ao mundo

Como o texto nos apresenta, devemos ter algumas características enquanto cristãos. Não somos do mundo, mas somos enviados ao mundo. E não somos enviados de qualquer maneira. Somos enviados ao mundo da mesma forma que o Pai enviou o Filho. Isso traz conseqüências indivisíveis para a vida do jovem cristão.

“Somos cristãos, seguidores de Jesus”, podemos dizer. Porém, se nossa postura é a de distanciamento da realidade do mundo, essa é uma vida impossível de combinar com a vida de um cristão.

Muitos querem apenas participar da vida da igreja de forma a ser um estranho ao que está ocorrendo na própria igreja em que congrega. Assumem uma postura de “clientes da fé”, onde querem simplesmente participar das celebrações, entregar as ofertas, dízimos, e pronto. Assim, conseguem uma semana abastecida de fé e santidade. Afinal, estou sempre na igreja, faço minhas orações pelos que sofrem, e quando vou ao “mundo”, não sou nem notado, pois passo nele sorrateiramente para que possa preservar minha santidade e pureza.

Porém não é essa a forma de missão que Cristo nos deu. Ele mesmo se colocou como exemplo para a nossa vida cristã. Dessa forma, é impossível sermos relevantes ao mundo sem anunciarmos a mensagem de Boas Novas do Reino. E é igualmente impossível, anunciarmos o Evangelho sem percebemos à necessidade do nosso tempo. Cristo mesmo fez dessa forma:

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. João 1:14,

Ele mesmo abriu mão de sua glória, para se envolver, para se fazer carne e habitar entre nós. Cristo não ficou somente dos céus olhando nossa história. Pelo contrário, ele encarnou nossa fragilidade e realidade, e mesmo assim, continuou santo, sem pecado. Morreu por nós e nos santificou para que pudéssemos ir ao mundo, e desta forma, o mundo recebesse a mensagem de Boas Novas.

Essa é a única forma de sermos relevantes: Assumindo a missão de Deus para nossas vidas. Temos que perceber que somos estrangeiros. Somos embaixadores e embaixadoras do Reino. Somos anunciadores e anunciadoras da mensagem de Boas Novas do Evangelho. Assim, aonde a mensagem do Reino chega, por intermédio de nossas vidas, há o recuar das forças do Maligno. Não por nossa força, mas pela força daquele que nos enviou, o próprio Cristo. Sendo assim, o homem e a mulher são restaurados de forma integral. Se havia fome, há alimento. Se havia doença, a cura. Se havia exploração agora há dignidade. Se havia perdição e desesperança, podemos anunciar a salvação, pois Cristo morreu, e a esperança, pois Ele ressurgiu.

Fica claro então que não há como anunciar essa mensagem restauradora se não vamos ao mundo? Portanto há uma impossibilidade de fazermos isso nos isolando do mundo. Que eu e você possamos ser estrangeiros no mundo. Assim estaremos assumindo nosso chamado cristão de anunciadores do Evangelho. O próprio Cristo nos deixou isso claro. “Eu vos envio ao mundo” e “Assim como tu (o Pai) me enviaste ao mundo”. Se assim o fizermos, seremos uma geração relevante para nosso mundo. E sei que podemos ser, pela graça e poder e para glória de Jesus Cristo.

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Categorised in: Diversos, Sou CXR, Sou Radical

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