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Verdadeira Liberdade

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Existem alguns aspectos em nossa existência que serão para sempre uma busca constante do ser. Alegria, reconhecimento, paz, significado… Todos nós buscamos esse estado do ser. Necessitamos dessa certeza dentro de nós. Porém, de todos estes elementos do ser, há um que traz um profundo estado de realização, liberdade.

Liberdade é tema constante de poemas, canções, livros, filmes. A liberdade é alimento de nossos sonhos. Todos nós, sem exceção buscamos essa liberdade tão sonhada. Gerações lutaram para conquistá-la. Filósofos passam a vida tentando defini-la, ou seja, a liberdade nos encanta a todos. E é para ser assim mesmo. Somos criados para sermos seres livres.

O que é mais interessante é que na mesma intensidade em que se busca a liberdade em nosso tempo, se consegue perde-la. Essa busca desenfreada pela liberdade faz com que a gente esteja cada dia mais longe da liberdade para o qual fomos criados e que tanto desejamos. Então o que nos deixa tão distantes assim da tão sonhada liberdade? Entendo que o maior problema é não saber na verdade o que é liberdade. Esquecemos de entender o que ela realmente é e principalmente de onde recebê-la. Quando buscamos algo que não sabemos o que é provavelmente seremos ludibriados pela primeira oferta que nos fizerem.

Percebes o problema? Almejamos algo que na verdade não sabemos o que é. A menos que saibamos o que é liberdade poderemos alcançá-la. Então o que é liberdade?

 

O que não é Liberdade

            Sempre procuro entender as coisas primeiro pelo que elas não são. Por exemplo, quando pensamos em liberdade vem em nossa mente à idéia de ser o poder fazer o que bem entender na hora que “der na telha”. Essa, para muitos, seria a expressão máxima de liberdade. Isso é uma forma errada de se entender liberdade. Várias pessoas, mulheres e homens de todas as idades, tem se apegado a esse entendimento. Vivemos em uma sociedade que se satisfaz com essa falsa liberdade.

Porém entendo que isso não é liberdade. Fazer o que se quer no momento que se quer beira a inconsequencia, poderíamos dizer que isso é irresponsabilidade. Isso é fruto de nosso livre arbítrio e não fruto de liberdade. E claro, não devemos entender que o livre arbítrio é algo ruim, isso seria uma inverdade. Livre Arbítrio é dom, é graça. Deus nos dá a opção de  escolher o que fazer. Somos dotados desse dom desde a criação. Podemos desde o início escolher caminhos que quiséssemos trilhar.  Porém, como diz Agostinho, o pecado enfraqueceu e deixou essa capacidade de decisão do livre arbítrio enfraquecido. Como conseqüência, acabamos por escolher o que é errado.

Para entender melhor, podemos usar a figura de uma balança de pratos. Se fossemos capazes de analisar nossas escolhas tendo a balança equilibrada entre bem e mal, sempre escolheríamos o bem, no entanto, o equilíbrio está completamente comprometido pelo Pecado. Por isso escolhemos o que é mal. Paulo retrata isso quando diz:

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. [Romanos 7:18-19]

Quando entramos nessa espiral de seguir nossos instintos e decidimos tudo baseados na nossa vontade, sem limites, sem responsabilidades, nos tornamos cada vez mais presos. Fazer aquilo que se pensa, pelo simples fato de trazer satisfação, faz com que aos poucos eu tenha minha liberdade cerceada e minha identidade comprometida. Começo aos poucos não ter mais capacidade de rejeitar ou decidir por mim mesmo. A liberdade que eu acreditava viver, torna-se em pesado fardo.

            No entanto, não nascemos para viver escravizado. Pelo contrário, somos chamados a liberdade.

Liberdade é isso

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. 
[Gálatas 5.1]

            Esse é nosso chamado. Somos em Cristo libertos da escravidão. Em Cristo podemos novamente ter a liberdade que tanto procuramos. E conforme nos achegamos a Cristo, recebemos a liberdade, pois Ele restaura a liberdade.

Podemos compreender a liberdade que Cristo nos traz em dois aspectos. Somos liberto de e somos libertos para.

Libertos de…

Cristo nos liberta de primeiro nos liberta da culpa. Devido ao pecado, muitas de nossas decisões são vergonhosas. Quantas palavras, ações, atitudes que tivemos, após repensarmos, percebemos que foram totalmente tolas. Nosso ser se enche de vergonha e culpa. Certo comediante dizia “o homem (a mulher) é o (a) único animal que fica envergonhado(a) – ou que precisa fazê-lo (a)”. Para nos aplacar a culpa, Cristo por sua misericórdia, nos oferece Seu perdão.

Somos por Jesus Cristo, também libertos do nosso ego. Isso mesmo. Quando Cristo nos liberta, eu e você conseguimos não mais estar sujeito ao nosso ego. Em tese todo o pecado é fruto do egocentrismo. Aprendemos isso pois o mandamento é “amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmo”, logo, o pecado é a inversão disso. Amamos mais a nós mesmos do que a tudo e todos. Na verdade todos são instrumentos para que eu alcance a felicidade. John Stott, menciona:

“Deixar-se absorver nos próprios interesses e ambições egoístas, sem qualquer consideração pela glória de Deus ou pelo bem estar dos outros, é estar confinado na mais intrincada e insalubre prisão”

Na ressurreição de Cristo temos então a restauração da nossa identidade. Pelo poder do Seu Espírito Santo conseguimos controlar nosso ego, mortificando o velho homem.

Recebemos também libertação do medo. Temos uma grande dificuldade de lidar com as coisas que foram feitas no passado. Achamos que Deus as fica anotando e em uma determinada hora vai nos “jogar na cara” tudo que fizemos. Devido a esse sentimento enganoso, escondemos muitas coisas no escuro, ficamos com medo e colocamos essas coisas no mais profundo do nosso ser. Isso nos torna mais e mais dominados pelo medo.

O medo é paralisante. Não avançamos com medo, ou seja, ninguém dominado pelo medo consegue ser realmente livre.

Quando estamos na presença de Cristo, olhando para Cruz e a obra redentora, podemos lançar fora o medo, pois sabemos que o poder de Cristo é triunfante.

Libertos para…

 

            Quando nos livramos da culpa, do egocentrismo e do medo, podemos começar a perceber a verdadeira liberdade de Cristo em nós. Nesse momento conseguimos retornar a nossa identidade. Nossa personalidade é restaurada. O ponto de virada de uma pessoa livre é quando ela pode ser ela mesma. Quando podemos nos tornar aquilo que Deus sonhou para nós.

Vou ilustrar a liberdade que Deus nos proporciona. Pense em um peixe. Ele é especializado para retirar da água o oxigênio necessário para a vida. A água então é a realização do peixe, sua liberdade. Uma liberdade limitante é verdade, pois sua liberdade é a água que o cerca na imensidão dos oceanos. Pense nesse peixinho agora em um aquário desses de vidro redondinhos. Ele tenta e se arrisca a conquistar novos ambientes e cenários. Ele pula para fora do aquário e cai no chão. O que ele encontrou? A morte.

            Se o peixe foi criado para a água e nela ele obtêm sua liberdade, e o ser humano? Nossa água é o amor. E no amor que nos encontramos e nos realizamos. Só consegue amar quem esta livre. Só alcança a liberdade quem está em Cristo. E assim esse “sistema” se alimenta. Em Cristo nós alcançamos misericórdia e graça. Em sua graça salvadora encontramos liberdade. Somos agora capazes de amar pois estamos libertos da culpa, do egocentrismo e do medo. Então nos percebemos reinseridos na “nossa água”, o amor, e nela continuamos a experimentar a liberdade de Cristo.

Aqui cabe a belíssima frase de Robert Southwell, “não quando eu respiro, mas sim quando eu amo, aí é que eu vivo”.

 

Verdadeira liberdade

 

            Já percebemos que liberdade então é bem diferente do que muitos imaginam. Não há liberdade quando faço o que quero e vivo a vida para mim mesmo. Nessa estrada nos distanciamos mais e mais da liberdade e nos tornamos ainda mais escravizados de nosso egocentrismo. Como desatacou Kobo Abe, “A liberdade não consiste só em seguir a sua própria vontade, mas às vezes também em fugir dela”.

Liberdade é diminuir o tolo e o ego que existem dentro do nosso ser e viver responsavelmente em amor a Deus e aos outros.

Verdadeira liberdade é a combinação do liberto de e do liberto para. É sair da tirania do pecado e experimentar a autoridade libertadora de Deus em nossas vidas.

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