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Deus, onde estás?

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Deus, onde estás?

 

 

 

Essa pergunta surge na história da humanidade e consequentemente na caminhada de cada um de nós. Mesmo que possamos não percebê-la, ela se faz presente todo tempo e ecoa em nosso ser. Cabe a nós trilhar o caminho que nos faça perceber a presença de Deus ao nosso lado. Mas como achar? Será mesmo que Ele está presente? Baseados nesses questionamentos Carlos Mesters nos apresenta seu livro, Deus onde estás.

 

Para que possamos entender a proposta, Mesters nos direciona a perceber a profundidade e a forma de leitura do texto sagrado da Bíblia. Não há como entender a mensagem do texto bíblico se o leitor estiver usando as lentes incorretas. Se quisermos analisar o texto na perspectiva histórica, veremos seus conflitos, divergências, suas impossibilidades e até mesmo tenderemos a duvidar dos fatos. Porém o texto não tem a intenção nem histórica, muito menos jornalística. Logo o texto deve ser lido com a lente da fé, deve-se enxergar o agir de Deus na história da humanidade, dando nova oportunidade de restauração e redenção em Cristo. Mesters destaca: “Se fosse só para nos ensinar o que aconteceu no passado, não haveria necessidade da Bíblia (…).

 

Portanto, a Bíblia naqueles dias tinha uma mensagem para dizer ao povo. Percebia o que estava fora do eixo, analisava os fatos e as possíveis consequências. Via nesse novo meio de agir e nessa forma de vida a mão de Deus, um Deus presente e real que se preocupa com as aflições e sofrimentos dos injustiçados. Esse Deus os libertaria da escravidão, levando-os para uma nova realidade, a liberdade, podendo novamente – caminhando pelos preceitos desse Deus verdadeiro e libertador – ter a possibilidade de regressar ao paraíso. Essa mensagem perpassa momentos históricos e atinge de cheio o coração aflito e oprimido em nosso tempo.

 

Como ver esse mover libertador na história? Mesteres nos apresenta os relatos inicias da Bíblia. Mostra um novo e profundo sentido no relato do Paraíso, na história de Abraão e conduz-nos para fora da terra da escravidão para caminhar com Deus e assim trilhar o caminho da liberdade.

 

Mesteres aponta no relato do Paraíso que a intenção do escritor não é de descrever a história exata da criação do mundo. Não, o escritor de Gênesis olha para a realidade de seu tempo e percebe que há algo de muito errado. As pessoas já não conseguem perceber suas identidades e o cenário em que vivem só retrocede. O autor “percebe que alguma coisa não funciona”, ele percebe o mal e quer denunciá-lo.

 

Quando o escritor de Gênesis toma consciência dessa situação, assume uma postura “inconformista”. Ele não procura por a culpa em Deus nem fica de “braços cruzados” sofrendo e esperando o fim. Pelo contrário, sua fé e esperança em Deus, esse Deus libertador que ele já percebe e anseia, o impulsiona a ação. Nesse momento “(…) sua fé lhe diz: Deus não quer isto!”. Assim podemos perceber no relato do Paraíso como seria o mundo como Deus o imaginou. Sem ambivalência, sem sofrimento e dor, harmônico. Com a plenitude da presença de Deus entre os homens e mulheres. Porém Deus não mudou Seu projeto. “Ele ainda quer o paraíso”.

 

Quem escreve esse relato, quer falar ao seu povo, que eles olharem da forma correta, com os olhos da fé, eles verão a mão de Deus presente na história. Enxergariam que Deus não abandonou a criação muito menos o homem. Para que o plano de redenção fosse possível, Deus chama Abraão, “para com ele atingir todos os outros. Começa aquilo que chamamos a “História da Salvação”.

 

No relato de Abraão continuamos ver o plano de Deus para a redenção da humanidade. Deus chama Abraão e se apresenta como Seu Deus. Essa “entrada” na história de Abraão, e sua eleição para que fosse herdeiro da promessa e parte da História de Salvação, pode passar totalmente despercebida se buscarmos entender o texto como relato histórico puro. O relato de Abraão tem como interesse “(…) poder apresentar o povo do seu tempo a figura de Abraão, de tal maneira, que os seus contemporâneos possam nele encontrar o modo como devem descobrir e Deus e como devem encaminhar sua vida com Deus. É preciso caminhar”, Mesters (1987, p.31).

 

A intenção na história de Abraão é ensinar a forma de se encontrar Deus, que já está em nossa caminhada, sentado ao nosso lado. É assim que o escritor de Gênesis interpretava a história de Abraão. Via esse relato como quem entende o todo da história, e nela via o profundo agir de Deus para o seu tempo. Ele pretendia mostrar que, olhando para Abraão e sua profunda fé, amizade e confiança em Deus, deveríamos escolher viver da mesma forma, e assim “(…) uma vez que a pessoa aceita a presença de Deus na sua vida e nela crê, estabelece-se um diálogo que tem suas leis próprias, estranhas talvez para que as vive de fora, mas perfeitamente compreensíveis para quem vive tal presença”.

 

Passamos então para o relato do Êxodo. Provavelmente um dos relatos mais conhecido da Bíblia. Porém novamente, como destaca Mesteres nos relatos anteriores, não se pode procurar entender esse escrito com os olhos da ciência. Esse relato da libertação tem como foco apresentar o Deus libertador, o Deus que se move para atender a resgatar os aflitos, opressos e marginalizados que estão sofrendo. Logo, segundo Mesters (1987, p.41), o relato do Êxodo, “não descreve, mas interpreta o fato”. Para reforçar esse entendimento, vale destacar:

 

“A descrição bíblica procura apresentar os fatos de maneira tal que o leitor perceba a dimensão divina do passado e aprenda, a partir disso, a perceber a assumira dimensão divina daquilo que está acontecendo no redor dele no momento em que lê a Bíblia. Por isso, condição para poder captar a mensagem da Bíblia é procurar ter os mesmos óculos que teve o autor ao descrevê-la”.

 

 

 

Ao ler o relato do Êxodo, temos que ser impulsionados pela alegria da libertação que Deus nos proporciona. Não podemos ser tomados por dúvidas ou descrença. Com os olhos da razão, nunca conseguiremos ver, tanto no relato do êxodo quanto em nossos dias, a ação de Deus. Porém, quando olhamos para o relato do êxodo com a lente da fé, somos chamados por Deus a liberdade e a co-responsabilidade dessa liberdade. Ao caminhar com Deus, nos tornamos livres, humanos, conscientes, e nisso podemos perceber Deus em nossa história.

 

Destaca-se novamente a contribuição de Mesters (1987, p.45):

 

“A descrição do êxodo visa provocar essa fé nos leitores, suscitar neles mesmo o esforço de libertação e levá-los a celebrar entre si essa presença libertadora de Deus no meio deles (…) Dessa maneira, a descrição do êxodo esclarece um caminho que começou lá no Egito e que ainda não terminou. É o caminho de todos nós rumo a terra prometida, onde reina a plena liberdade, nascida de Deus.”

 

Em todo relatos aqui apresentados, o Paraíso, a história de Abraão e o Êxodo, querem transmitir para nós muito além que fatos históricos. Eles refletem o cuidado e agir de Deus em nossa história. Mostra que Deus em momento nenhum mudou de plano em relação a criação. Ele se move e se importa com a nossa redenção. Ele participa da nossa história e a nos dá a oportunidade de novamente entrar no Paraíso. Para isso, Jesus se entrega por nós. Encarna nossa realidade. Vive como um de nós e se entrega a uma terrível morte para que tivéssemos redenção. Porém não termina assim. Ele ressurge, e nEle somos livres.

 

Hoje então, quando olhamos para os relatos dos primeiros livros da Bíblia, e ao mesmo tempo trazemos em nossa memória o sacrifício de Jesus, podemos entender o “Mistério Pascal de Cristo” e somos certamente atraídos para vivermos com Cristo e por Ele. Quando entendemos esses relatos pelo olhar da fé em Cristo, essa mensagem de esperança se torna viva, presente e totalmente relevante para nosso tempo. Assim, podemos entender e ao mesmo tempo ficar maravilhado como nosso Deus nos resgatou e recebemos de bom grado Sua graça restauradora, Sua misericórdia que nos concede vida, e podemos assim caminhar na Sua presença, em direção à “liberdade que Cristo nos chamou” até podermos enfim, desfrutar novamente da plenitude do Paraíso que nos aguarda.

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