Nossa percepção de mundo e evangelho

Coisificação

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É impressionante como algumas pessoas conseguem entender o seu tempo de uma perspectiva tão profunda que seu entendimento perpassa gerações, chegando essa idéia a nossas mãos como se fosse um texto de agora, do hoje, inserido em nossos dias. Carlos Drummond de Andrade é desses poucos. Com seu olhar apurado e crítico, faz um escrito “profético” ao escrever Eu Etiqueta.

E fazem de mim homem-anúncio itinerante, disse Drummond, percebendo que já havia uma grande perturbação, ou inversão, de valores. Nossa percepção de personalidade ou importância social já não estava associada ao que realmente pessoa é, mas sim ao que essa pessoa consome ou pode consumir. Logo, o consumir define quem você é. Deixamos de ser gente para sermos mercadorias. Queremos, mesmo sem querer ou perceber, marcar nossa identidade com aquilo que ostentamos consumir. E isso traz sérios distúrbios para essa geração.

Além do “ter para ser”, outra marca dessa “modernidade líquida” é que deixamos de ser gente e passamos e ser coisa. Como bem disse Drummond: Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é coisa. Eu sou a Coisa, coisamente, ou seja, qualquer um pode ser substituído, pior, descartado, afim de que possa colocar outra coisa que melhor se adéque aos padrões do Sistema, sistema esse canibal e completamente incandescido, pois não se respeita limite de coisa.

Falando de respeito e limites, pode-se tentar compreender os distúrbios de violência urbana e barbáries somente vistas nos tempos medievais. Provavelmente, por olharmos o outro e o vermos como coisa, e se essa coisa – que outrora foi gente e deixou de ser quando possuía essas marcas ou quando as deixa de ter – estiver atrapalhando, ou não fizer parte desse mundo de consumo, podemos simplesmente eliminá-lo, seja queimando (como fizeram recentemente em Brasília), violentando, espancando ou com assassinatos em série. Isso se explica quando vemos gente como coisas.

Devemos despertar desse estado de dormência e perceber que pessoas são mais, muito mais, do que possuem, de onde moram, da quantidade de cartão de crédito ou da possibilidade imediata de consumo por impulso. Faz-se necessário perceber que se mantivermos esse ritmo de vida, estaremos cada vez mais alienados da dor e necessidade do próximo e inevitavelmente chegara à hora que nós mesmos seremos descartados. Olhemos hoje para o outro consciente que “Coisa é coisa, e Gente é Gente”.

 

-> Para melhor entender o texto, nossas percepções e melhor dialogar e comentar o texto, recomendo a leitura de “Eu etiqueta” no seguinte link http://pensador.uol.com.br/frase/MjAyODM0/ (clique)

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1 Response »

  1. Estamos em um processo mercantilista que nos faz coisa a cada dia. Pior que isso, é saber que muitos o fazem por opção de ser. Ao nos coisificarmos, abrimos um espaço para que sejamos descartáveis. Algumas pessoas já nem sem espantam mais quando uma vida se perde de forma cruel. Já viraram coisas e tudo que observam são coisas. E como coisas que são, quando gerarem gerarão coisas.

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