Nossa percepção de mundo e evangelho

A responsabilidade dos cristãos na sociedade

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Nesta série de textos do autor Leonhard Goppelt ele nos relembra uma perspectiva, mais até que um modo de entender, GOPPELT nos chama novamente a missão da responsabilidade dos cristãos em meio ao mundo. Através do estudo da 1ª epístola de Pedro (I Pedro) que aposta para nós esse chamado cristão ao testemunho e ao sofrimento por Cristo.

O texto de I Pedro é direcionado aos cristãos espalhados pela Ásia Menor que começava a sofrer acusações e discriminações por parte da sociedade. Logo os cristãos não estavam sendo perseguidos, porém fortemente caluniados. Daí vem o alerta, o simples fato de pertencer à religião cristã pode trazer sofrimento. “(…) Se, porém, sofrer como cristão, não se envergonhe disso” (4.15).

GOPPELT nos apresenta o motivo dessa intensa “perseguição” que os cristãos do primeiro século sofriam. Eles não se amoldavam a cultura helenista e as práticas da sociedade de seu tempo a partir do momento que se denominavam cristãos.  Logo, segundo Celso, o cristianismo era visto como uma “nova crença falsa, perigosa a sociedade”.

Podemos perceber então que I Pedro fala de um tema hoje profundamente discutido por todos: a responsabilidade do cristão na sociedade.

O autor no texto primeiro nos leva a entender o conceito em I Pedro de que somos “forasteiros em nossa terra”. Esse conceito é pano de fundo em toda epístola, chamando os cristãos para viverem esse Êxodo de fé, pois eles são santos, eleitos. Logo caminham em direção a uma nova realidade, pois já hoje vivem uma nova vida.

Um alerta, no entanto é feito. Viver como “forasteiro” entre seus compatriotas não é um chamado de fé qualquer. É um chamado escatológico que traz a presença do Reino para seu tempo. Por isso na epístola de 1ª Pedro somos advertidos a não nos alienarmos da sociedade. Os cristãos devem romper com o estilo de vida da sociedade, confrontando e denunciando seus erros.

“Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção” (I Pe 2.12). Esse é nosso chamado contínuo na sociedade. Nosso proceder deve constantemente refletir e testemunhar Cristo em nós. Na seqüência do capítulo vemos uma série de proceder para com a autoridade, com patrão, com os governantes, levando-nos a agir para com todos de uma só forma, fazendo o bem por amor ao Senhor. O que GOPPELT é válido citar para nossa maior compreensão:

Os cristãos, porém, devem imitar o Senhor – misturar-se com o povo e demonstrar na política, economia e matrimônio, inclusive com seu comportamento, que agora Deus que conduzir a todos a uma existência humana íntegra. A responsabilidade sócio-ética, motivada pelo amor de Deus, se integra na comissão missionária”.

Porém Pedro nos leva, através de Cristo, a tornamo-nos agentes conscientes e críticos daquilo que nos cerca. Nossa submissão, antes de qualquer coisa é ao Nosso Senhor Jesus Cristo, o que fazemos e como testemunhamos seu amor e serviço é o que nos leva a ser obedientes as autoridades. Logo, Cristo nos chama para uma responsabilidade crítica, onde pela fé podemos julgar aquilo que é a vontade de Deus.

Notamos então que a proposta em I Pedro é nos chamar para assumirmos o papel escatológico de Cristo, trazendo para o tempo presente o futuro escatológico revelado por Jesus. Dessa forma, estamos em constante conflito de interesses com o sistema deste mundo. A forma de proceder, o testemunho cristão, traz conseqüências diretas na sociedade. Nossos critérios e formas de ação, nossa motivação de vida é diferente das dos nossos compatriotas e isso gera, inevitavelmente, divergências nas instituições. Porém, como podemos perceber na leitura, esse comportamento, só será possível se o cristão estiver disposto a sofrer por amor a Cristo.

Porém esse sofrer que o testemunho de Cristo nos traz, para Pedro não se manifesta somente como juízo, porém principalmente como graça. Segundo GOPPELT, “fixar isso é um dos interesses centrais da epístola”. Isso transparece em I Pedro 2.19 “Porque é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente”. Logo complementa GOPPELT, “(…) torna-se seguidor quem é atraído para o caminho de Jesus mediante a obediência da fé”.

O autor encerra seu comentário sobre nossa responsabilidade na sociedade dando a seguinte destaque:

“Fazendo um retrospecto sobre ao tema geral da epístola a partir desse ponto, ele oferece um quadro global impressionante. A onda discriminatória por parte da sociedade responde com a disposição total para um testemunho missionário universal mediante a pregação como pelo procedimento. Nenhum dos escristos do NT associa o testemunho da palavra com o testemunha da presença cristã na sociedade, como faz I Pe”.

Para nós, cristãos do presente século, a epístola de 1ª Pedro nos chama a um verdadeiro chamado cristão. Que em seu testemunhar e procedimento no mundo, vá confrontar os modelos deste século. Esse modo de viver será pregação diante dos perdidos, testemunhando Cristo e assim trazendo renovação e um novo modelo de vida, que é uma forma de restaurar o ser humano em sua integridade. Esse modo de vida, no entanto, sempre será anti-sistema, logo trará sobre nossos ombros o peso de sermos discriminados e com isso poderemos sofrer por assumir essa mensagem.

Nesse momento, vale então um profundo momento de autocrítica para todos nós. Devemos ler I Pe, e nos perguntar se realmente estamos dispostos a sofrer e a testemunhar Cristo desta forma, ou se temos deixado nosso testemunho de lado e nos esquecido de nosso verdadeiro chamado? Estamos realmente dispostos a sofrer dando testemunho de Cristo em meio ao nosso tempo?

Certamente muito de nós temos nos afastado dessa missão, devido a pressões e as comodidades que o sistema tem a oferecer aqueles que vivem de acordo com seus padrões. Por isso segundo 1 Pedro, devemos constantemente viver o Êxodo de nossos dias, o de sermos forasteiros em nosso mundo, e isso é um desafio constante. Primeiro por termos de sair de nossa “zona de conforto” e negar os modelos do sistema. Temos ainda o aspecto de sermos constantemente discriminados e por sofremos. E o constante desafio de apesar de vivermos esse êxodo, estamos neste mundo denunciando seus erros e propondo o modelo perfeito de vida através de nosso testemunho, que é Cristo. E com esse testemunho mostramos que o sofrimento salvítico de Cristo alcança a todos indiscriminadamente. Retomemos o nosso posicionamento, certos de que Deus “nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
Para uma herança incorruptível, “incontaminável”, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós” (I Pedro 1.3-4).

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2 Respostas »

  1. Deives

    Tenho me questionado sobre o tipo de participação que o cristão está imprimindo na sociedade.

    Sempre acreditei em um cristianismo que se mistura ao que não é cristianismo, não com a intenção de se assimilar mas de influenciar. Não há como influenciar a todos se ficarmos somente entre nós.

    A demonstração do que temos na sociedade no que se refere ao cristianismo não é, na minha opinião uma imitação do Senhor. Infelizmente, o que vemos hoje é uma copia xingling do que deveria ser cristianismo.

    Não há responsabilidade no que se refere a ética seja ela nos diálogos interdenominacionais, ecumenicos ou na sociedade e o amor que alardeamos ser perfeito, pois vem de Deus, acaba virando mais uma marca que não pegou.

    Em sua grande maioria, os cristãos tem testemunhado sim, porém não é um bom testemunho.

    • Fato.
      Tenho aprendido e tentado compartilhar essa visão, que o Evangelho de Boas Novas se faz encarnado em uma realidade.
      Não tem como ser relevante se nossa mensagem e participação social for preocupado com o mundo além, pós morte. Temos sim que pregar para resgatar vidas das mãos do inimigo, porém que efeito isso terá se essa pessoa continuar sentindo fome, sede e frio?

      Unamo-nos onde já existe um trabalho social, e prontos a servir, possamos dessa forma testemunhar o Evangelho de Salvação.

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