Nossa percepção de mundo e evangelho

O caráter fundamental da mensagem joanina da Cristo

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Este texto escrito por Wemer Kümmel apresenta-nos a intenção de João em seu evangelho. Mostra que o objetivo de João não era apresentar uma descrição cronológica, ou mesmo de escrever uma biografia de Jesus, pelo contrário, seus escritos mostram um profundo sentido e intenção doutrinária e querigmático. João em seus escritos traz-nos a mente a defesa de Jesus como Cristo. O evangelista então pretende em seu evangelho fortalecer a fé dos primeiros cristãos e para isso apresenta Jesus como o Cristo, Messias e Senhor prometido desde os tempos veterotestamentários. Vemos isso claro em João 20.30-31 quando ele escreve: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”.

KÜMMEL nos apresenta no início de seu trabalho que independente da linguagem usada por João em seu escrito, seja ela uma influência do Antigo testamento, no judaísmo helenista ou no judaísmo palestinense-rabínico, mesmo que diversas tradições e culturas o tenham sido influencias em seu trabalho, o evangelho de João pretende dar testemunho perfeito de Cristo. Por isso vale destacar o que KÜMMEL diz:

Consequentemente João deu aos relatos sobre Jesus bem como aos sermões do próprio Jesus uma forma mais adequada para o seu testemunho. Isso, no entanto, constitui apenas o sinal mais notável de que João descreve a pessoa e proclamação de Jesus não somente na condição de alguém que crê, mas configura-as conscientemente a partir da fé da comunidade.

O que podemos perceber então, é que os escritos joaninos não tem como objetivo a apresentação do Jesus histórico. Em João temos a apresentação de Jesus pela lente da comunidade joanina, ou seja, a lente da crucificação e ressurreição do Cristo. João nos mostra “Jesus é o Ungido, o Filho de Deus”. Logo seu escrito é centrado e tomado pela afirmação da cristologia de Jesus.

Após nos apresentar as linhas gerais do evangelho de João, Kümmel agora nos conduz a uma explicação sobre diversos termos cristológicos que são apresentados por João. Vemos diversos títulos dados a Jesus, como: O Ungido, O Filho, O Salvador do Mundo, O Filho do Homem, O Verbo (Logos) e O Portador da Salvação. Com esses títulos cristológicos podemos perceber a concepção joanina de Cristo.

Os termos cristológicos chaves em João, são Ungido e Filho de Deus. KÜMMEL mostra que o termo Ungido não é tão freqüente em João, mas sempre vem de maneira bem acentuada, dando assim uma grande significância ao termo. Logo, sempre que o termo Ungido é usado, ganha um sentido profundo de confissão pessoal, quem fala, vê em Jesus o Ungido de Deus enviado. Como muito bem escreve o autor do texto: “(…) esse título honorífico não nos pode demonstrar outra coisa a respeito da concepção joanina de Cristo do que o fato de também João ter encarado Jesus como o esperado portador escatológico da salvação”.

Em “o Filho de Deus”, assim como em “o Ungido”, aparece poucas vezes, mas sempre com um profundo significado e profundidade. Com esse título João nos apresenta com clareza que Jesus é o Filho de Deus, enviado do Pai, representante do agir de Deus no presente e no futuro.

O termo “o Filho” prioritariamente pretende mostrar a relação entre Pai e Filho. Mostra Jesus como enviado, “Deus enviou o seu Filho ao mundo”(3.17). Nesse aspecto João mostra-nos a dependência do Filho, como em: “nada pode fazer de si mesmo, senão somente o que vir fazer o Pai” (5.19).

João porém vai além, ele nos apresenta também o Filho em total unidade e igualdade com o Pai desde o princípio. Mostra-nos Jesus ao lado do Pai. João não poucas vezes descreve o enviado de Deus como o próprio Deus. Vemos isso em “O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1).

Vale destacar o que aponta KÜMMEL sobre o entendimento da relação Pai e Filho em seu evangelho. Para KÜMMEL, João aborda essa relação de duas maneiras. “Na presença do Jesus terreno, o Pai e o Filho estão numa relação de dar e receber” e também vê Jesus como “aquele que esteve com o Pai na Pré-Existência”, por isso Ele fala o que viu do Pai.

O que não podemos esquecer, no entanto, é que “(…) para João Jesus é sem ressalvas um homem terreno”. Em seu Evangelho João que apresentar Jesus como Messias, porém sempre retorna a imagem de Jesus com limitações e apresenta suas características humanas. Jesus em João sente fome, chora, ama seus amigos, por isso João logo no início do seu Livro aponta: “o Verbo se fez carne”.

João porem ao mesmo tempo em que destaca a humanidade de Jesus aponta firmemente a unidade de Cristo com o Pai. “Eu e o Pai somos um”, e escritos semelhantes estão por todo evangelho. João que mostrar para todos nós claramente que a unidade entre o Pai e o Filho é centralidade em sua obra. Nesse aspecto destacaremos novamente o que disse KÜMMEL, “(…) foi somente em João que a idéia do Filho e do Enviado adquiriu importância realmente central, tornando-se a concepção por excelência que descreve de maneira global a relação entre Pai e Filho”.

Como falamos anteriormente, neste trabalho não será possível abordar todos os títulos honoríficos de Jesus. Destacamos aqueles, que como KÜMMEL, nos apresenta em João como sendo seu principal objetivo, apresentar Jesus como Messias, o Filho de Deus enviado e Ungido para uma missão específica. Cristo veio para nos revelar o Pai e satisfazer sua justiça. O Messias veio para estabelecer o Seu Reino entre nós. João nos mostra Jesus como “o portador de Salvação”, mostra que Jesus entrega sua vida voluntariamente e que somente por Ele é proporcionada a Salvação definitiva.

O que vemos através do trabalho de KÜMMEL,  e que não podemos em nossa caminhada cristã, abandonar a centralidade da mensagem do Cristo, Messias, o Ungido Filho de Deus, apresentada a nós em João. Mais importante que isso, devemos ter em nossa mente e coração que esses não são apenas nomes e títulos que nos levam ao passado. Na verdade o que os escritos joaninos nos revelam é a presença de Cristo hoje, e é essa certeza de quem Jesus foi e no que Ele fez e fará por nós que nos enche de esperança e nos impulsiona ao mundo para falar de seu amor. Essas são formas de compreender não apenas quem foi o homem Jesus, mas de tê-lo ao nosso lado hoje, pois Ele, o “eu sou”, está ao lado do Pai intercedendo por nós.  Somente Cristo é o portador da salvação e quem trouxe restauração e redenção a todos.

Resumo crítico do texto, O caráter fundamental da mensagem joanina de Cristo de Wemer Kümmel

 


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