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Lucas-Atos: a prática de perdão e solidariedade

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Missão. Essa é o grande desafio de todo seguidor de Cristo. Em Lucas, segundo  David Bosch, autor do texto em análise, nos esclarece de forma límpida, e nos apresenta um aprofundamento desse termo, retirando de seu significado o sentido exclusivista do qual os judeus acreditavam que fosse essa missão. Nos escrito lucanos, nos é apresentando o Cristo, que veio por todos e para todos, sem exceção ou acepção de pessoas, incluindo em sua mensagem e Reino a todos.

Através da leitura deste artigo Lucas-Atos: a prática de perdão e solidariedade, BOSCH nos mostra a centralidade de missões nos escritos lucanos. Outro aspecto de grande destaque nos escritos de Lucas é a inclusão dos excluídos. Mulheres, gentios, crianças, pobres, todos são resgatados por Jesus nos escritos lucanos. Fechando do sua obra, Lucas nos revela ainda a necessidade de arrependimento de todos nós, o perdão dado aqueles que se aproximam de Jesus e o fim da vingança, manifestado no perdão de Cristo a nós.

É interessante compreendermos essa visão em Lucas-Atos, afim de que possamos ter uma visão clara da teologia desses escritos e assim aplicá-las ao nosso tempo. Lucas estava olhando para uma geração de cristãos em transição, pessoas que ouviram falar de Jesus e suas obras, ouviam e acreditavam na história de morte e ressurreição e por isso agora, aguardavam o desfecho final da mensagem de Jesus, sua volta em poder e glória. Logo, os primeiros cristãos sofriam pressões tanto internas, o esfriamento da fé (devido a demora do grande acontecimento), e externamente, havia a perseguição dos judeus, pois queriam impor seus costumes históricos aos novos cristãos gentílicos. Todo esse cenário causava uma crise de identidade e grandes dúvidas nos seguidores de Jesus de Nazaré.

Para atender aos anseios desta comunidade, Lucas escreve seus livros para mostrar a estes, que a vinda do Messias seria futura e que estes não estavam abandonados, nem tinham menor privilégio que aqueles que andaram com Jesus, como cita BOSCH:

“Ele sustentou que os cristãos de seu tempo não estavam realmente numa situação menos vantajosa do que os dos primeiros discípulos de Jesus, que o Senhor ressurreto ainda estava com eles, particularmente através de Seu Espírito que os estava orientando continuamente (…) Jesus ainda estava presente em sua comunidade.”.

Logo, a intenção de Lucas é mostrar que a igreja continua viva e em ação através da presença real do Espírito Santo, enviado por Jesus sobre todos os cristãos, e este lhes conferiria “poder” e autoridade para continuar e  a viver a missão de Cristo na Terra, em todos e para os povos.

O que mais impressiona nos escritos de Lucas é sua visão clara do chamado da igreja para a Missão universal (não local, ou seja, simplesmente judaica). Ele nos mostra ainda, que essa missão é contínua, ou seja, se iniciou no Jesus Histórico e tem sua continuação na igreja de Cristo.

Segundo BOSCH, podemos perceber todo esse aspecto no que ele denomina de a “Grande Comissão” de Lucas. Em Lucas 24.46-49, pode-se perceber toda compreensão de como Lucas entendia a missão da igreja, como esta missão avançaria e quem seria o alvo (objetivo) desta missão. Entendemos isso com mais clareza com a seguinte citação de BOSCH.

“As palavras de Jesus citadas acima (Lucas 24.46-49) refletem, resumidamente, toda a compreensão de Lucas acerca da missão cristã: ela é o cumprimento de promessas escriturísticas; só se torna possível após a morte e ressurreição do Messias de Israel; seu aspecto central é a mensagem de arrependimento e perdão; destina-se a “todas as nações”; deve começar “de Jerusalém”, deve ser executada por “testemunhas”; e será cumprida no poder do Espírito Santo”.

Como vemos, a missão é tema central nos escritos lucanos. Porém Lucas não se limita aos judeus, ele percebe, na mensagem e nas atitudes de Jesus, que o Evangelho de Cristo, estabelece-se com a chegada do Reino e Justiça do Messias, e este inclui “todas as nações” e  “todos os povos”. Lucas, durante toda sua narração mostra Jesus “associando-se” aos excluídos de seu tempo. Em Lucas, muito mais que em outros Evangelhos, Jesus ressalta os samaritanos, aceita e perdoa mulheres, estende a mão para crianças, estabelece e prega justiça aos pobres, todos esses considerados menores e impuros aos religiosos da época. Com isso, vemos um segundo aspecto que pulsa nos escritos lucanos além da missão. Vemos o clamor pelos pobres e oprimidos.

Como o próprio autor do artigo diz “é de conhecimento comum que Lucas tem um interesse particular pelos pobres e outros grupos marginalizados”. Lucas, em todo seu primeiro livro, usa passagens que citam os pobres e destacando sempre sua grande preocupação com as questões sociais de seus dias. Lucas viu o cenário do que acontecia, olhou para a mensagem de Jesus, e percebeu em Seus ensinamentos, uma real preocupação com os oprimidos.

Não podemos deixar a impressão de que o evangelho de Lucas parece ser um escrito de privilégios a gentios, aos excluídos e oprimidos. Não é essa a mensagem de Lucas. Ele deixa bem claro em seus escritos que “ao mesmo tempo, cada pessoa tem sua pecaminosidade e escravização específica”, logo, “isso significa que os pobres são pecadora como todas as demais pessoas, porque em última análise a pecaminosidade está enraizada no coração humano”. Nesse aspecto, vemos que Lucas deixa bem claro que todos nós, sem exceção, necessitamos de sincero arrependimento para alcançarmos perdão.

Para encerrar toda idéia dos escritos lucanos, faz-se necessário perceber a salvação em Lucas. Segundo BOCSH, em Lucas o termo salvação aparece 12 vezes, enquanto somente uma vez em João e nenhuma em Mateus ou Marcos, logo se pode afirmar, como BOCSH, “Lucas emoldura todo o seu conjunto de textos com a idéia da salvação que despontou de Cristo”.

Chegamos aqui nesse texto, com uma visão clara dos escritos lucano. Trata-se de uma profunda lição da salvação a todos. Em Lucas-Atos, percebemos uma clara linha: arrependimento, conversão e perdão. Dessa forma “as pessoas que se arrependem e cujos pecados são perdoados vivenciam a soteria, “salvação”.

  Ao final desse pequeno apanhado, no profundo mar dos escrito lucano, temos que aceitar o desafio e o chamado de Cristo, chamado esse individual, “vocês são testemunhas dessas coisas (Lc 24.48) que se cumpre com a Igreja na Terra. Devemos cada um de nós, após receber de Cristo, perdão e salvação, sair de nosso lugar (Jerusalém), e assim como disse Jesus, lendo o profeta Isaias, testemunhar para todos, boas notícias aos pobres, liberdade aos presos, vista aos cegos, libertar aos cativos, anunciando que chegou o tempo que o Senhor salvará o seu povo. Essa mensagem nunca fica desatualizada, ao contrário, a cada dia se faz mais presente, real e necessária. Quando, cada um de nós, nos sensibilizarmos com o clamor do oprimido, e encarnarmos a necessidade dos nossos dias, seremos como profetas, cheios do poder e autoridade do Espírito Santo, denunciando as injustiças e compartilhando do que temos para com os oprimidos. Assim estaremos testemunhando o Reino de Deus até que Cristo venha.

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