Nossa percepção de mundo e evangelho

Um novo (porém antigo) caminho

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Se fossemos traçar um momento comum a todas as nossas histórias, certamente teríamos um comum a todos nós. Começamos as nossas vidas em uma família.

Podemos então afirmar que a família é quem nos inicia na sociedade. É a família quem irá nos apresentar e ensinar, proteger e guiar nossos passos para podermos andar “pelo mundo”.

Certamente também, nenhum de nós foi gerado em uma família ideal, perfeita. Longe disso, todos nós enfrentamos e temos dificuldades em nossas famílias. Isso é normal e acontece, sem exceções, em todos os casos e em todas as famílias. Por mais que olhemos para uma família como modelo (tenho famílias que eu admiro muito), estas também tem defeitos, dificuldades e desafios diários. Somos iguais também nisso.

O que também é comum a qualquer família, é que, para ser família, faz-se necessário o convívio comum. Para sermos família, é necessário que haja um tempo investido em relacionamento. Logo, o casal, pais e filhos, todos, se quiserem ser uma família capaz de vencer as dificuldades da vida, devem investir em relacionamentos.

Logo podemos sugerir essa idéia: “a forma que nossos relacionamentos são construídos definirão nossa família”.

Essa é a questão central. Como estamos construindo nosso relacionamento familiar? Qual o nosso modelo e padrão de relacionamento?

Para isso, quero propor o seguinte texto, I Coríntios 12.30b e 13.1-7.

“Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”

Ao lermos esse texto do apóstolo Paulo, vemos a primazia do amor em nossas vidas. Não existe área alguma de nosso ser, seja familiar, profissional, espiritual, ministerial (e assim por seguinte, seja tantas quantas você puder lembrar e enumerar) que não deva ter como alicerce o amor. E hoje vamos entender sua importância na família.

Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente      

         Tenho percebido nos últimos dias, que vivemos em uma sociedade em que nossos relacionamentos são baseados em troca (não sei se é da sua época que o carroceiro passava na porta da nossa casa trocando pintinho por garrafa ou panela velha. Lembra disso? É assim os relacionamentos de hoje em dia, a base da troca).

Hoje os relacionamentos são assim. Se você faz algo de bom para mim, eu posso (talvez), fazer algo de bom para você. Se você fizer algo que me agrade muitíssimo, eu certamente farei algo mais ou menos para retribuir. Só respondo com algum tipo de singeleza ou “amor” se você antes me der algo em troca. Porém (e isso é bem verdade), temos uma habilidade incrível em responder o mal feito para nós. E fazê-lo de maneira disciplinar. Uma coisinha de nada que me incomoda em você, eu responderei de forma a não ser mais incomodado com isso. Ou seja, nossa forma de relacionamento é na base da troca.

Esse tipo de relacionamento tem trazido cicatrizes e marcas cada vez mais incômodas para nossas famílias.

            Quando construímos nossa família na “base da troca”, do interesse e do medo, temos uma família fraca, e sujeita a todo tipo de crise (emocional, financeira, espiritual), pois só existe amor se houver “um meio de recompensa” pelo que eu faço. É o que chamamos aqui de “amor por troca”.

Se houver limite no cartão de crédito, o casamento vai bem.

Se não houver doenças, tudo vai bem.

Se não houver notas vermelhas, tudo vai bem…

Ou seja, nossa família está condicionada ao “se”.

Quando voltamos nossos olhos para as Escrituras, vemos Paulo deixar bem claro o caminho para nossos relacionamentos: o amor. Ele mesmo propõe como sendo “um caminho ainda mais excelente”. Ou seja, não há nada mais importante na caminhada cristã que o amor. Pois somente no amor é que podemos dizer: “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Todas as outras coisas, apesar de muito importante, são acessórias. Paulo diz isso quando escreve, “posso fazer tudo, saber tudo, dar tudo… se não houver amor, é nada”.

Assim como eu você pode estar se perguntando: mas como é possível esse amor? Como fazer para construir relacionamentos fundamentados no amor que tudo pode

O Caminho do amor

Talvez estejamos nesse momento pensando que se trocássemos toda a nossa forma de relacionamento para esse “desmedido amor” tudo se perderia. Seu filho fugiria de casa e você não mais o teria sob as suas rédeas. Sua mulher não mais estaria submissa a você. Seu esposo estaria entregue ao mundo a suas tentações toda vez que saísse de casa se você não o obedecesse cegamente.

Mas será que construir nossos relacionamentos em medo e dependência cega vale à pena? Será que é esse o modelo proposto?

Em Efésios existe uma das mais significativas passagens sobre o caminho do amor no relacionamento familiar. Efésios 5 e 6, falam do relacionamento conjugal e entre pais e filhos, e ao contrário do que parece para muitos, não se fala ali da soberania masculina no lar, e sim da responsabilidade deste em assumir e ser para sua família, semelhante Cristo. Veja: “Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela”, (Efésios 5:25). E prossegue: “Pais, não irritem seus filhos; antes os criem segundo a instrução e o conselho do Senhor”, (Efésios 6:4).

Sei que é um desafio para nossos dias propor uma vida dessa forma. Nossa sociedade pós moderna é baseada no individualismo, na busca da realização dos desejos pessoais não importa o custo (seja ele ambiental, econômico, emocional, familiar ou espiritual). Posso e devo fazer tudo o que for possível para conquistar o meu sonho, ou numa linguagem mais nossa, para “ser abençoado”, afinal, nascemos para ser cabeça (vai entender?). Porém esse é o modelo do nosso tempo, “o fim justifica o meio”. Porém, nós enquanto igreja de Cristo vivemos o “caminho ainda mais excelente”.

Logo, nosso papel como família (e também enquanto servos de Deus) é “Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo” (Efésios 5:21). Quando construímos relacionamentos dessa forma, descansamos nossa vida no amor de nossa família, e temos em nossa casa um porto seguro para todas as situações da vida

 Somente em Cristo podemos viver no amor.

             Somente em Jesus podemos ter esse amor dentro de nossos corações. Ele mesmo se revelou como amor e nos ensina a viver como ele. Somente em Cristo conseguiremos lutar contra nossa própria natureza de sempre construir nossos relacionamentos em trocas e favores, e manifestarmos o fruto do Espírito (Gálatas 5.22) e assim vivermos de forma semelhante ao nosso Mestre, amando sem desejar ou esperar algo em troca.

Sei que esse amor é um sacrifício diário. É decidir amar o próximo todo dia. É encher nosso coração com um amor desprendido e sincero. Um amor capaz de amar independente da situação ou do estado que está o alvo do nosso amor, o outro.

Quando conseguimos e decidimos amar dessa forma, tudo se transforma, pois a resposta ao amor é o próprio amor. Quando fluímos o amor de Deus, dado a nós por meio de Cristo e preenchido em nós pelo Seu Espírito Santo, a única resposta possível é amor. Tudo o que havia no passado que pudesse ser diferente, vai sendo substituído pelo amor incondicional de Cristo em nós. Se havia o medo, passa haver segurança. Se havia a opressão passa haver o carinho. Se havia o “eu” passa-se a enxergar o outro. A minha necessidade vem sempre em segundo plano. Eu me diminuo em favor do outro, pois na verdade, o outro “sou eu”. Afinal, não é isso o casamento? Os dois serão uma só carne”. E seu filho e filha, na verdade não é a demonstração de unidade? Quando fundamentamos nossas vidas e famílias no amor incondicional que vem de Cristo, no relacionamento familiar não há derrotas. Sempre se vence quando recuamos, perdoamos ou nos submetemos ao outro no amor.

O escritor Rubem Amorese, em seu livro ICABODE, deixa uma grande lição para todos nós enquanto família (pois sempre estaremos em posição de algum desses papéis familiar):

(…) como filho, Jesus se humilhou e foi obediente, conforme Filipenses 2. Já na figura do Noivo, ele aparece numa posição de amor bondoso, paciente e até mesmo sacrificial. Na posição do Pai do filho pródigo, Deus aparece como um pai amoroso e disposto até mesmo a humilhação.

É certo que esse amor constrói laços muito mais firmes.


            Devemos sempre, estar com nossos corações abertos para receber e descansar no amor de Cristo. Somente através desse amor, que é incondicional, aprendemos que no amor há sacrifícios. Porém, nessa forma de amar não existem derrotados, diminuídos ou pessoas fracas. Existem pessoas tornando-se mais humanas, tendo como padrão o ser servo e semelhante a Cristo. Dessa forma, construiremos relacionamentos seguros e verdadeiros. Quando a igreja de Cristo assumir esse papel no mundo, certamente começaremos por ver a mudança em nossas famílias, igrejas, bairros, na sociedade… Conseguiremos uma verdadeira revolução por praticar em nossas vidas o amor de Cristo

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