Nossa percepção de mundo e evangelho

Cristologia da Comunidade Joanina

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Resumo Crítico do texto

“Cristologia da Comunidade Joanina”

de Johan Konings

A visão apresentada por Johan Konings dos escritos da comunidade joaninina, englobando desta forma a totalidade da obra de João (ou a comunidade que foi influenciada por sua teologia e ensinamento a cerca de Jesus) nos leva a compreender a defesa de João em Jesus como sendo o Messias, sendo a obra de João uma das mais cristológicas do Novo Testamento.

João durante todo seu trabalho quer apontar para a comunidade cristã do primeiro século Jesus com sendo o Messias, ou seja, apresenta-nos o “Jesus histórico” como sendo na verdade o “Cristo” anunciado pelos profetas e esperado pelo povo judeu. Porém esse Messias não estaria limitado a uma revolução política, nem interessado no poder. Bem pelo contrário, João nos apresenta Cristo como sendo o Messias que veio para servir e nos apresentar um Reino de amor e justiça. Tanto que em João tem como ênfase a crucificação e a morte de cruz como sendo a marca do modo de viver de Cristo refletindo o amor e a fidelidade do próprio Deus.

Logo de início KONINGS apresenta uma visão de como os judeus da época esperavam o Messias. O povo judeu assolado e dividido a séculos espera um novo Rei, o Filho de Davi, que restauraria novamente a ordem, tomando das mãos dos inimigos o reinado e restabelecendo a nação. Logo o povo aguardava um “Rei-Guerreiro”. Alguns aguardavam um novo Moisés, um profeta, que guiaria o povo para o caminho de Deus. Essas eram as visões de Messias impregnadas no povo da época.

Porém João no, prólogo do seu evangelho, já nos apresenta uma “síntese provisória” e que delineará todo seu escrito e ensinamento. O Evangelho nos apresenta Jesus como sendo “Palavra”. Jesus em João é a Palavra que era desde o início, a Palavra de Deus, a Palavra que produz vida e lua. Essa Palavra se torna “carne” acontecendo em existência humana e histórica, sendo limitado pela própria condição humana. Vemos que João enfatiza ao final que Jesus é o agir de Deus no meio da humanidade, em existência humana. Por isso Jesus diz: “Quem me vê, vê ao Pai” (João `4.9). Logo João nos apresenta Jesus como a palavra reveladora de Deus.

Após essa iniciação cristológica de João, podemos entender seu Evangelho em duas partes como nos apresenta KONINGS. A primeira parte de 1,19-12,50 e na segunda parte podemos identificar o 13,1-12,31 (o capítulo 21 corresponde ao epílogo).

Nessa primeira parte, como nos mostra o autor, João narra alguma situações, não na ordem cronológica dos fatos, mais ele quer sim apresentar Jesus como Messias, montando toda uma “iniciação ao ministério de Jesus” como cita o autor. KONINGS nos apresenta a seguinte idéia:

“Em diversas cenas da vida de Jesus, João vai mostrando diversos aspectos de Jesus e do compromisso com ele. Sobretudo a partir do capítulo 5, deixa o próprio Jesus explicar o sentido de seus gestos, em discursos que aprofundam o sentido da fé”.

Percebemos então que João nos faz um tratado cristológico e nos ensina a ver o Cristo Messias enviado de Deus ao mundo. João mostra ao povo de sua época o Messias, porém acrescenta que Ele mesmo é “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (1.29). Isso deixa claro aos judeus da época, que esperavam um Messias-Político ou Messias-Guerreiro, que teria uma ação local e restrita tendo sua missão somente para com povo de Israel, que o Messias-Cordeiro tem uma ação irrestrita e muito mais abrangente. Ele , o Messias, viria restaurar não uma nação, mais sim a todos.

João ainda nos apresenta Jesus, o Cristo, como sendo Messias, Mestre, Rei de Israel, Filho do Homem, Filho de Deus, Novo Esposo e Novo Templo.

A partir do capítulo 5 do Evangelho, João não mais apresenta as “credencias” de Jesus como Messias. A apresentação já fora feita na primeira parte e ele inicia agora uma parte que KONINGS caracteriza de conflito cristológico. Ele aponta para Jesus conflitando com antigos costumes e interpretações da lei. João o tempo todo evoca figuras e trechos conhecidos do Antigo Testamento e tradição judaica e os conflita com os sinais de Jesus. Desses relatos, tomo como um dos principais a de João 8, quando o “cerne da discussão é o fato de se Jesus é ou não é aquele que torna Deus presente”. E a resposta que nos narra João, dada por Jesus, nos ensina a viver na fé. “Quando tiverdes posto no alto o Filho do Homem, sabereis que eu (o) sou” (8.28).

Como cita o autor do artigo, João termina essa parte do evangelho “como uma reflexão sobre a incredulidade diante da manifestação de Jesus nos sinais

Na segunda parte do Evangelho João nos apresenta a forma de viver pela fé na ausência de Jesus. Nos que até então estávamos sendo iniciados no cristianismo, entendendo o Messias que veio por nós, agora somos direcionados pelo Espírito de Deus a viver pela fé no Messias. Esse Espírito há de nos conduzir em amor, paz, comunhão e fé, “podendo assumir a causa de Jesus”.

Na parte final do evangelho, João coloca a chave de todo o seu texto no evento de Tomé. Este havia andando com Jesus, ouvido e visto seus ensinamentos e milagres, mais devido ao acontecimento da cruz sua certeza foi abalada. Quando do encontro com o Senhor, glorificado por Deus após sua ressurreição, este mesmo Tomé que outrora estivera incrédulo, agora declara: “Meu Senhor e Meu Deus” (20.29).

O trabalho de KONINGS também trata do livro de Apocalipse, por entendê-lo como parte dos escritos da comunidade joanina. Ele nos mostra que enquanto o Evangelho mostra-nos Jesus como sendo aquele foi enviado ao mundo para morrer por nós e após sua ressurreição é glorificado, em Apocalipse Cristo é o Senhor dos Senhores, Rei dos Reis. No Evangelho Jesus é o revelador de Deus e de Sua luz. Em  Apocalipse, Jesus é, desde o início, visto e contemplado em Sua Glória.

Ao sair deste trabalho, o que temos que levar para nossa caminhada de fé, até o dia em que Jesus virá em glória, como nos mostra os escrito joaninos, e que Jesus se entregou por amor, e por esse amor se põe em serviço da vontade salvítica do Pai. Estando alicerçados nesse amor, o próprio Cristo nos convida para participar de sua cruz e morte, pois assim como Ele nos amou nossa missão é amar do mesmo jeito. João nos desafia a perceber que independente da assolação, desafio ou perseguição, não devemos entrar em desespero. Porém isso deve nos levar a amar fraternalmente, resistindo as forças contrárias, não amando o mundo, mas resistindo e denunciando os anti-cristos que já assolam nossos dias (I João 2.15-26). Vivamos, pois na certeza do Cristo, confortados pelo Seu imenso amor e vivificado dia após dia pelo Seu Espírito.

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