Nossa percepção de mundo e evangelho

Chamados à Revolução!

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Agosto 2011
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“Não se amoldem ao padrão desse mundo”

Romanos 12.2a

 

            Não sei se é da época de vocês, mas quando eu tinha mais ou menos uns 16 anos, passava no SBT, um programa da Disney que era o “CRUJ” – Companheiro Revolucionário Ultra Jovem, e sinceramente, eu sempre gostei mais  do nome do programa do que até o próprio programa. Esse nome revolucionário sempre me chamou atenção. Acho que sempre tive tendências revolucionárias. Foi também nessa época, entre meus 15 e 18 anos, que esse desejo revolucionário começou ser mais forte dentro de mim. Provavelmente nesse momento despertava-se o revolucionário.

Tenho certeza que isso acontece em todos os jovens. O desejo de revolucionar o mundo. Nós jovens, temos facilidade com “o novo”. Somos ávidos por mudanças e está em nosso espírito defender os ideais em que acreditamos. Lutar pelos menos favorecidos. Discutir injustiças. E quando necessário for, um verdadeiro revolucionário está disposto a colocar sua própria vida em risco. Pode falar, todo jovem pode até não acreditar (ou sufocar esse chamado à revolução), mas esse estilo de vida revolucionário está dentro de nós.

Alguns dos grandes ícones revolucionários de nossa época inspiram jovens e adultos por todo o mundo. Poderíamos mencionar vários e mesmo assim, faltariam muitos. Eu particularmente gosto de dois. Cito Ernesto Guevara, conhecido por muitos como “Che” e Nelson Mandela. Che viajou por toda a América Latina e presenciou as injustiças e desigualdades sociais in loco. Mandela lutou contra o preconceito e a política de segregação racial na África do Sul, chegando a ser preso e condenado a prisão perpétua. Esses dois homens de maneira revolucionária lutaram por pessoas e por fazer diferença na vida de muitos e dessa forma que marcaram seus nomes na história mundial.

Como já falamos revolucionários inspiram pessoas. Todos nós tomamos como exemplo pessoas que admiramos. Porém em todos eles (em qualquer um desses que pensarmos) acharemos erros e desvios. Certamente você lembrará que em muitas vezes os revolucionários (e isso também acontece em cada um de nós) iniciaram uma idéia que se transforma em um movimento. Como o passar do tempo o movimento se junta com o Sistema, se contamina e perde seu propósito. Em algumas vezes o próprio movimento revolucionário começa a aspirar ao poder e perde identidade, na maioria das vezes repetindo o que era combatido por ele próprio em algumas vezes ficando ainda pior. Cazuza, um grande poeta de nosso tempo, cantou: “meus heróis morreram de overdose”. Talvez esse pensamento reflita a situação de muitos dos revolucionários que temos e que elegemos como ícone. Porém isso vai além de nossa culpa. Somos assim pois somos contaminados pelo pecado como disse o profeta Isaías:

Mas todos nós somos como o imundo,

e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”

(Is 64.6)

            O que podemos perceber até o momento é: Queremos ser revolucionários, mas precisamos de um modelo.

Então como posso atender esse chamado para ser revolucionário sem cair nessas armadilhas da nossa própria natureza? Existe alguém que possamos imitar e viver seus ensinamentos sem errar? E esse alguém foi realmente revolucionário? Temos sim.

Ninguém na história foi mais revolucionário que Jesus Cristo. Por isso todos são chamado de Alexandre, o grande, Cezar o grande, Napoleão, o grande, mas Jesus não se enquadra nesse título. Jesus é o grande – Ele é o Único. Sua vida, sua missão, sua mensagem, seus ensinamentos, sua morte, sua ressurreição. Tudo em Jesus ecoa pelo universo de tal maneira que preenche todos os espaços com sua perfeição. Vejamos o que STOTT  (2010) comenta sobre isso:

“Porém devemos continuar afirmar a imparidade e perfeição de Jesus Cristo. Ele é singular em sua encarnação (o único Deus homem); singular em sua expiação (somente Ele morreu pelos pecados do mundo); e singular em sua ressurreição (somente ele venceu a morte) (…) Ele é singularmente competente para salvar os pecados. Ninguém mais tem suas qualificações”.

Em Cristo temos o modelo perfeito de como ser um revolucionário. Ele nos mostrou e nos chama para segui-lo.

Cristo viveu uma vida simples e dedicada desde cedo ao trabalho. Seus ensinamentos o tempo todo confrontavam o status quo. Cristo denunciou a desigualdade (2 Coríntios 6.14), combateu o preconceito (João 8.7), atendeu aos desprovidos (Marcos 6.41), curou os enfermos , abriu mão de suas necessidades em favor das dos outros (Mateus 14:14), lutou pela inclusão dos mais fracos na sociedade (Lucas 7.22), derrubou a religiosidade (Mateus 22.34).

Até esse ponto você pode tentar comparar outros a Jesus, mesmo assim não teríamos sucesso, pois Cristo é incomparável. Porém Cristo abriu mão de seu poder e glória  , tornou-se homem, viveu e sofreu as mesmas angústias que nós(Filipenses 2.6-8). Foi tentado em tudo, mas em nada pecou (Hebreus 4.15). E mais morreu por nossos pecados, fazendo-se indigno em nosso lugar, para que assim pudesse nos resgatar a vida e nos livrar do julgo do pecado. E ao contrário dos heróis revolucionários mortos, Cristo, ressurgiu ao terceiro dia e hoje está a direita de Seu Pai, chamando-nos continuamente à este chamado revolucionário.

Cristo em sua vida aqui na terra mostrou-nos o modo de vida que Ele nos propõem Nos ensinou como devemos caminhar para sermos verdadeiramente atender Seu chamado para nossas vidas. Dentre todas iremos falar rapidamente de dois que são trazem grande impacto na vida de seus seguidores e daqueles que os cercam

Cristo nos mostrou Seu amor incondicional. O amor de Cristo está revelado para nós em toda Escritura. Toda a Bíblia nos mostra o plano de redenção traçado por Deus antes mesmo de nossa criação e que esse amor veio ao mundo para nos resgatar. Esse é o amor incomparável de Cristo por nós. Esse amor é revolucionário. Amor que dá sem interesse de receber.

É nesse amor que recebemos de Cristo que todo nosso chamado revolucionário fica possível. Pois somente nesse e por esse amor de Cristo em nossas vidas, conseguiremos despertar as outras características em nossas vidas. Pois é o amor quem nos ensina a servir, nos possibilita a abrir mão do poder e nos desperta ao inconformismo.

Inconformismo. Essa é o diferencial de quem atende ao chamado de Jesus Cristo para ser revolucionário. Cristo nos chama para sermos diferentes. Para não nos amoldarmos com o tempo presente. Esse chamado está impregnado em toda Santa Escritura e chega aos nossos dias sem perder e sem negociar sua irredutibilidade. Somos sim chamados para sermos diferentes. Nós como revolucionários temos a responsabilidade de testemunhar, servir e viver no mundo. Porém não podemos nos contaminar com ele. Logo não devemos preservar nossa santidade fugindo do mundo, nem sacrificá-la nos conformando com ele.

Em todos os tempos Cristo nos relembra desse chamado. “Sede Santos” ( Levítico 11.45, I Pedro 1.15.16). E esse tema se repete em toda a Bíblia, nos profetas (Ezequiel 11.12), na lei (Levítico 18.3.4), no ensino de Jesus (Mateus 6.8) e no ensino do apóstolos (Romanos 12.2).

Logo, vivendo como imitadores de Cristo, estaremos aceitando nosso chamado revolucionário, pois conforme lemos no início em Romanos 12.2, ao aceitamos o chamado revolucionário de Cristo em nós, ao qual somos desafiados por Cristo diariamente, estaremos escolhendo um modelo radical para nossas vidas. E esse modelo é o modelo de Cristo e não o modelo do mundo. Logo, estaremos indo contra o que está estabelecido. Estaremos escolhendo ser revolucionários.

Para atender ao chamado revolucionário devemos entregar nossas vidas completamente a Cristo e estar dispostos a romper com os padrões deste mundo. Deveremos saber que estaremos em luta e choque constantes com nós mesmos (Romanos 12.3-8), com os outros (9-16), com inimigos e malfeitores (17-21), com o Estado (Romanos 13.11-14). Estamos como profetas, tomados de uma santa indignação, e como revolucionários chamados por Cristo, fazer as mesmas coisas e viver da mesma forma que nosso Mestre viveu. Por isso, devemos denunciar as injustiças, lutar contra as desigualdades. Devemos nos posicionar contra tudo o que desrespeite e desvalorize a vida. Não só devemos fazer coisas no âmbito político-social. Acima de tudo, devemos proclamar a verdade de Cristo e Sua Cruz. Devemos mostrar ao mundo Seu amor infinito e falar a todos que “sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). Dizer que nossa existência e vida só são possíveis por intermédio de Jesus. Não podemos nunca negociar a nossa fé ao tentar “vender” o evangelho de Cristo (a mensagem de Boas Novas não é produto) e muito menos tentar tornar mais palatável ou maleável o modo de viver em Cristo (a fé em Cristo é imutável). Para aceitarmos e vivermos esse chamado devemos ter Cristo como nosso exemplo.

Hoje, Cristo novamente está à beira da praia, olhando para cada um de nós jovens,  envolvidos e atentos com nossas redes e barcos, contanto os peixes. Ele com ternura, porém com voz cheia de autoridade e desafio, o que nos enche de amor e nos impulsiona a ação, diz: “Siga-me”.

Que cada dia, eu e você possamos estar com nossas vidas completamente tomadas por Jesus, àquele que com Sua vida mostrou-nos o que é verdadeiramente ser revolucionário.

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4 Respostas »

  1. Oi amigo, você me fez lembrar das aulas de Ciência Política, onde após ler autores como Robert Michels e outros autores da teoria das elites comecei a mudar minha maneira de encarar o mundo. Quando lemos os textos de Karl Marx ficamos inconformados coma as injustiças e absurdo do nosso sistema, e aí pensamos que é possivel alterar nossa realidade a partir das nossas forças. Mas, quando as experiencias frustadas demonstram que as coisas não são assim tão simples, nossa utopia desce pelo ralo. Michels fala da tendencia a oligarquização que os partidos políticos sofrem, mesmo aqueles com uma base essencialmente popular. Ou seja, aqueles que antes pertenciam à classe dos dominados, ao alcançarem o poder torna-se classe dominante.
    É por isso que não acredito na possibilidade de instaunração de uma ordem justa e pacífica no mundo em que vivemos. Minha única esperança está em Cristo. Somente Nele há uma verdadeira paz, justiça e vida sã.
    Fico aguardando o dia em que Ele virá nos buscar.

  2. Não precisa publicar meu comentário, ele é muito severo, por que de fato, transformar a nossa sociedade, da maneira como imaginamos quando somos jovens utopicos, não é possível pois o mundo jaz no maligno. o que nós poderemo0s conseguir é melhorar nossas condições de vida nesta terra, mas viver aqui não é nosso alvo, nosso alvo é o céu. O que precisamos para alcançá-lo: a graça. Ao vivermos na graça mostramos ao nosso semelhante que há algo além deste mundo, que há alguém que pode nos transformar.
    Mas uma transformação pessoal que implicasse a transformação da sociedade, sinseramente não creio ser possível, porque só seremos completamente transformados no céu. Por favor, não pense que desconsidero a importancioa deste processo de transformação aqui na terra, só acho que se ele se ele se concretizasse aqui, conseguiríamos uma convivência perfeita entre nossos irmãos em Cristo. E como não somos perfeitos isso seria improvável.

    • Monica, minha grande amiga e crítica.
      Também confesso que considero um caminho longo esse de transformação.
      Sei que só conseguiremos atingir a plenitude e a perfeição nos céus, ao lado do Pai.

      Porém, somos chamados a revolução. E para que isso seja possível, Jesus está ao lado do Pai, intercedendo por nós. E Seu Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, está em nós. Ele é quem nos habilita a sermos semelhantes a Cristo, pois Ele mesmo habita em nós.

      Mesmo em nossos dias de angústia e dúvida e Ele quem nos enche de Seu amor e “traz a nossa memória aquilo que nos traz esperança”

      Obrigado por sua belíssima contribuição.
      Espero um dia publicar um texto seu aqui no blog.
      Deus te abençoe.

  3. O modelo de revolução de Jesus, apontava para ações na terra. A busca de um caminho para o paraíso, para o céu, ou seja lá como se deseja chamar o lugar onde a comunicação entre o Sagrado e o homem será de vez restabelecida, não começa na nossa morte, mas na nossa vida e nas ações que fazemos em vida.

    Revolucionar é também evoluir novamente, vivendo o ciclo de semente, que cai na terra, morre para poder germinar e dar fruto a cem por um.

    Parabéns pelo seu texto.

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