Nossa percepção de mundo e evangelho

Porque “estranhamos” a Cruz?

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Provavelmente ao ler esta pergunta você pode ter imaginado diversas coisas (principalmente que estava por ouvir uma blasfêmia). Mais não é isso. O que me motivou a escrever esse post é o fato de nós cristãos termos medo de mostrar, usar a figura de uma cruz, seja esta em camisas, pingentes, jóias, fachadas de nossos Templos, em fim, vemos muito poucos usaando e  alguns sabem falar sobre este marco de nossa história cristã, que não simboliza o final e sim o início de nossas vidas em Cristo, pois foi nela, que Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo se fez maldito, pagando um alto preço e nos libertou do pecado e nos resgatou da morte eterna.

O intrigante é que cantamos, escrevemos e pregamos sobre a Cruz (isso até entrar na maioria das Igrejas Brasileiras e nos esboços da maioria dos pastores a Teologia da Prosperidade – mais isso é para outro artigo), e praticamente temos “vergonha” de usá-la como símbolo da nossa redenção e fé. Cantamos “Rude Cruz se erigiu, dela um dia surgiu como emblema de vergonha e dor. Mais contemplo esta cruz, porque nela Jesus deu a vida por mim pecador”. Temos outro clássico que é “a cruz, foi a mais pesada, por fora só havia madeira, mais por dentro estava meu pecado” e mais recentemente “pela cruz me salvou, gentilmente me atraiu. E eu, sem palavras me aproximo”.

Falo dessa timidez e medo por experiência própria. Até pouco tempo também achava estranho usar a Cruz como símbolo, até que me libertei desta vergonha e uso pingente da cruz em um cordão. Percebo que na igreja, onde todos deveriam se emocionar ao ver a cruz lembrando-se do sacrifício de Nosso Jesus, sacrifício esse que só se explica devido ao Seu imenso amor por nós, as pessoas se assustam, olhando meio desconfiados (sinceramente, nem imagino o que elas pensam).

Sei que existe uma questão cultural e histórica. Nossas igrejas do passado aprenderam que tudo que era da nossa terra, ou usado por outras religiões eram coisas para serem abolidas, foram “demonizadas”. Claro que muitas coisas realmente são contra a doutrina cristã, e essas têm de ser veementemente combatidas. Nesse processo de “demonização da nossa Terra” perdemos muito de nossa própria identidade cultural e cristã, daí a dificuldade de usarmos ritmos brasileiros, roupas e comidas típicas, arte e decoração, incluindo nesse contexto a Cruz. O impressionante também é que ao invés de tentarmos resgatar símbolos que realmente tenham mensagens para nossos dias, vemos uma invasão em nossas igrejas de símbolos do Velho Testamento (isso também pode ser um novo artigo para o blog).

É lógico que é muito mais fácil não usar do que explicar o motivo e o símbolo da Cruz de Cristo. Porque estou dizendo isto? Logo assim que comecei a usar um pingente de cruz em um cordão de linha preta, estava na fila do shopping para trocar cupons de promoção, quando a atendente me perguntou: “-Você é crente?”, eu respondi claro cheio de convicção: – Sim. Não sabia o motivo do questionamento até que veio o segundo questionamento: “Porque você usa essa Cruz então?”.

Foi essa pergunta que balançou minha vida e me fez perceber que as não associam a Cruz ao sacrifício expiatório de Jesus no Calvário. Não percebem que a cruz tem tudo a ver com o Evangelho de Cristo, na verdade, não existiria o Evangelho, o Ide, a Igreja, simplesmente não existiríamos sem a Cruz de Cristo.

Por isso conclamo aos cristãos. Aqueles que entendem e amam a Jesus, e reconhecem que se não fosse por sua morte na Cruz do Calvário estaríamos todos aniquilados, a refletirem e estudarem para responder a razão da Cruz de Cristo.

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20 Respostas »

  1. Olá Deivis. Por mais simples que pareça, você toca em um assunto importante e controvertido. Ao longo da história do cristianismo vários signos foram utilizados como representações ou códigos da fé cristã. O peixe desenhado, o nome ICHTUS e mais tardiamente a própria cruz.
    Embora não veja problema ou condene o uso da cruz vazia como adorno ou representação da crença de alguem, compreendo a não utilização deste signo (especialmente pelos batistas) pela tendencia de aceitar apenas o que a Bíblia recomenda.
    No nosso tempo, onde a comunicação visual fala muito, usar a cruz vazia, além de uma identificação pessoal, pode ser uma estratégia para evangelização pessoal.
    Fica para nós a recomendação paulina:
    “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” Romanos 14:6

  2. Olá Deivismacedo, apesar de ser filho de pastor Assembleiano, ter sido discipulado n’uma igreja que condena tais práticas, e que até me convenceu por um bom tempo me fazendo abominar tal prática, hj considero apenas a minha vida e das pessoas como preciosa e não mais a conservação de regras infundadas e baseadas apenas num egoísmo tolo e sem explicação.
    Tenho acompanhado a evolução no pensamento cristão e as formas de adaptação contemporânea e isso tem me feito pensar nas palavras de Paulo:
    Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira…” Atos 20:24

    O evangelho precisa ser anunciado e a Cruz vazia é nosso troféu e garantia.
    Rodrigo Sales

  3. Não sou pastor, muito menos um estudioso assíduo da palavra de Deus, mas para mim A cruz vazia, é um grito silencioso da voz de CRISTO anunciando: – ” No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem! Eu venci o mundo.” aleluia!! glória a Deus!

  4. Caro Deivis , Não creio que estranhamos a cruz teologicamente, como você muito bem dice a cruaz está presente em nosso cancionário, sermãos , estudos e na Bíblia, mas acredito em uma questão cultural que envolve a utilização dos símbolos.

    Quando digo que estranhamos a cruz culturalmente, refiro-me primeiramente a forma que os primeiros missionários nos alcaçaram, eles não tiveram tempo de nos aculturar ou influenciar com as arquiteturas de seus templos que geralmente exibem a cruz, depois a cultura evangélica no Brasil aboliu os smbolos para não parecer com os critãos católicos que carregam da idade média uma didádica da fé ( os simbolos eram utizados nos templos afim de ensinar aos leigos as histórias bíblicas como também promover um ambiente de extrema devoção ).

    Não vejo nenhum problema da utilização dos símbolos, desde que estes não se tornem um amuleto da sorte gospel.

    Recentemente ganhei de um Pastor Norte Americano( cultura) uma linda gravata azul com a cruz e o peixe estampados, costumo usar quando faço visitas hospitares, os símbolos continuam comunicando nos dias de hoje.

    Um forte abraço

  5. Caro Deivis , Não creio que estranhamos a cruz teologicamente, como você muito bem dice a cruz está presente em nosso cancionário, sermãos , estudos e na Bíblia, mas acredito em uma questão cultural que envolve a utilização dos símbolos.

    Quando digo que estranhamos a cruz culturalmente, refiro-me primeiramente a forma que os primeiros missionários nos alcaçaram, eles não tiveram tempo de nos aculturar ou influenciar com as arquiteturas de seus templos que geralmente exibem a cruz, depois a cultura evangélica no Brasil aboliu os smbolos para não parecer com os critãos católicos que carregam da idade média uma didádica da fé ( os simbolos eram utilizados nos templos afim de ensinar aos leigos as histórias bíblicas como também promover um ambiente de extrema devoção ).

    Não vejo nenhum problema da utilização dos símbolos, desde que estes não se tornem um amuleto da sorte gospel.

    Recentemente ganhei de um Pastor Norte Americano( cultura) uma linda gravata azul com a cruz e o peixe estampados, costumo usar quando faço visitas hospitalares, os símbolos continuam comunicando nos dias de hoje.

    Um forte abraço
    corrigido

  6. Não poderia deixar de falar do time que carrega no peito a cruz, caso você queira uasar a cruz como símbolo comece trocando de time e vista a camisa do time da cruz.

  7. “Rude Cruz se erigiu, dela um dia surgiu como emblema de vergonha e dor”. Certa vez fiz aos “anciões” da igreja uma pergunta semelhante a sua e a resposta que obtive foi: “Entendemos a cruz como maldição”.

    Compreendo e até posso defender essa tese ao levar em conta a cruz como instrumento de tortura e morte. Contudo, o simbolismo dela hoje é muito maior que aquele dos tempos onde os romanos eram donos do mundo: A cruz representa o evangelho, o sacrifício do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

    O grande problema no uso dos símbolos é que muitos os tornam amuletos, veja por exemplo o que ocorre nas igrejas neo-pentecostais-da-prosperidade… lenço ungido, rosa da cura, tapete de fogo, etc. Transformar um símbolo em amuleto é superstição e isso faz o uso do símbolo maldito, mas não o símbolo em si.

    por fim, se houver maturidade para usar, que se use. Senão, melhor deixar quieto.

    (se o pensamento ficou meio bagunçado foi o sono…)

  8. Em minhas leitura encontrei um texto lindo que irei partilhar só um pequeno pedaço aqui:
    “Em um mundo como o nosso, o único lugar de honra e diginidade é a cruz. O resto é cumplicidade com a mentira, o homicídeo e a destruição”. (J.Comblim)

  9. Muito legal essa visão da cruz pq muitos cristãos excluem ou escondem a cruz, ñ por vergonha, mas de medo pelo que ela representou, mas muitos se eskecem que partindo dela eis que tudo se fez novo para a glória de Deus!!!

    • Grande Irmão.
      Fico feliz em saber que você está caminhando com Cristo.

      Essa é realmente a intenção do texto, fazer essa reflexão que a Cruz de Cristo é nossa glória e não nossa vergonha.

      Passe sempre aqui no blog e se tiver alguma sugestão de tema para ser abordado pode mandar para a gente pesquisar e emitir uma opinião.

      Abração.

  10. Frequentei durante muito tempo uma Igreja Batista Fundamentalista que condenava qualquer imagem da cruz, afirmando que era maldição, ocultismo, coisa de Católico etc etc, depois de um tempo mandaram eu parar de comemorar Natal, Páscoa, Ano Novo, aniversário etc… não podia confraternizar com ninguém p’ra me manter ‘separada’, quase acabaram com minha família, depois de 5 anos de sofrimento esperando o Srº Jesus me arrebatar (abduzir) eu larguei a Igreja e quase voltei pra ICAR, hj continuo Cristã, me considero Reformada, mas estou sem Igreja e traumatizada (porém, sã)… e com uma cruz de família no pescoço, Graças à Deus!

    • Boa noite Isabella.
      Obrigado por você compartilhar sua experiência aqui no blog. Certamente é a experiência de muitos e talvez o momento atual de outros.

      Acho que todos nós já enfrentamos situações bem parecidas. Porém devo destacar a importância do compartilhamento de nossas vidas em em comunidade cristã.
      Nos fortalecemos muito na comunhão com os outros irmãos.
      Claro, como em toda a relação, teremos alguns desentendimentos e coisas do tipo, entretanto, sempre há muito a se ganhar na congregação.

      Quanto aos aspectos de usar ou não usar a cruz, comemorar o natal ou falar “ra, tim, bum”, fica o conselho de Paulo aos Romanos (capítulo 14).
      Se eu faço isso e causa estranheza à meus irmãos, nã faço por amor a eles.
      Eu uso pingente de cruz. Porém, em alguns lugares, acho melhor não usar pelos meus irmãos.

      Qualquer coisa, estamos aqui para ajudar.

    • Interessante vc falar isso, pq foi exatamente o que aconteceu comigo… mts evangélicos satanizam o Natal de uma forma tal que quase ‘desevangelizam’ a sociedade, perdendo a oportunidade de compartilhar o Evangelho em uma época em que as pessoas estão mais sensíveis, mts dariam bons ateus! tbm sou desigrejado, tbm tenho uma cruz sem qualquer significado de adoração no pescoço… procuro uma Igreja mais sensata… Abraços!

      • Boa tarde Gustavo.
        Que bom você acrescentar conosco essa discussão.

        Acho que a Igreja nos últimos anos (isso inclui a todos – eu e você inclusive) tentou eliminar de perto dela tudo que pudesse ser associado ao mundo dizendo que tudo era pecado, porém não via os motivos, simplesmente denominava tudo.
        No fim das contas, todos perdemos. Muitos feridos com a mensagem ou pela forma. Tanto a igreja quanto a sociedade perdeu.

        Agora estamos em uma geração que percebe a necessidade de se unir o Evangelho ao outro.
        Nesse aspecto podemos ajudar muito, estando junto de nossas comunidades de fé (isso mesmo defendo e acredito na importância da Igreja Local) e ajudando aos outros a ver a mensagem do Reino de forma integral.

        Abraços e volte sempre.

      • É uma pena, não poder investir o tempo em uma resposta agora, mas faço uma sugestão que investiguem a visão que os puritanos tinham com esta questão e o termo “iconoclastia”. Paz!

      • Boa Tarde.
        Tudo certo?
        Saudades meu Pastor. Assim que puder farei uma visita na PIB Interlandia.

        Esperamos sua contribuição nas postagens.
        Abraços.

  11. Os puritanos de linha iconoclasta eram arruaceiros saindo pelas cidades e igrejas quebrando tudo que os desagradava, como adoração, até havia sentido acabar com a idolatria, mas eles não eram perfeitos… subverteram muito da fé Cristã (os radicais, como anabatistas), os seguidores de Hofman pregavam a comunhão de bens e ‘esposas’, e se não me engano, teve até um grupo que saiu correndo nus pelas ruas de Paris (liberdade total), trouxeram trevas onde a Luz de Cristo resplandeceu (Natal), ressuscitaram um tal ‘deus-Sol’ que há mt havia se enterrado pela vitória Cristã (antes pensava no Natal na sua forma mais pura, agora sempre lembro desse tal ‘deus-sol’ que eles trouxeram novamente) … Entre o extremo do Anabatismo e a corrupção de Roma, os Reformadores tiveram que fazer o seu caminho. Que eles fizeram isso com tanto sucesso deve-se à graça soberana do Espírito Santo de Cristo, que conduz a Igreja à toda a verdade… sim ao Natal sem idolatria, não a secularização da sociedade…

    • Oi Gustavo. Achei sua visão dos puritanos um pouco ácida. Se olharmos o protestantismo de maneira geral, encontraremos contradições. Chamar os puritanos de arruaceiros é uma afirmação um pouco tendenciosa. O fato é que herdamos muitas interpretações das teologias reformadas e do movimentos radicais.
      Acredito que não há problema em utilizar a cruz como simbolo que nos identifique como cristãos, porém não incentivo e não uso. A referência simbólica ao sacrifício vicário de Cristo, sua morte e ressurreição, são cumpridas a partir das ordenanças bíblicas. E mais do que carregar um ícone precisamos redescobrir o “tomar a cruz diariamente” para seguir os passos do mestre.
      Aprendi certa vez que o espinho na carne não é opcional e cruz sim. Precisamos olhar a nossa volta e perceber o que significa carregar a cruz e fazê-lo sem procastinação.
      Então, com ícone ou sem ícone, carregue a cruz de Cristo.
      PAZ!

      • Esse é o grande aspecto da nossa Publicação no blog.
        Levantar o dialogo e o posicionamento de idéias.
        O pastor levantou o grande ponto. Devemos assumir a mensagem da Cruz em nossa pratica cristã.

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